A Maior Forma De Comunicação Acadêmica Está Na Pilgrim

Todos concordaríamos que o melhor conhecimento de Deus possível veio num Livro.

Também diríamos que esse Livro foi lido pela maior parte da história da igreja por meio de pregações, hinos e orações litúrgicas, ao invés de sentar e lê-lo. Porém, como os teólogos travam seus debates? Já foi por epístolas, por tratados, por livros escolásticos e por concílios acalorados. Todavia, atualmente, em praticamente qualquer área de estudo, a forma primária de comunicação e debate acadêmico rigoroso inegavelmente se dá por meio de artigos científicos.

Isso cria um problema. Dificilmente vamos parar na correria do dia para ler o último artigo de nosso teólogo favorito num journal. Aliás, provavelmente nosso teólogo favorito (que seria melhor descrito como um pregador) também não tem tempo de publicar num journal atualmente. Talvez as ideias que você mais gosta dele sejam apenas uma remodelação de uma bateria de artigos acadêmicos que ele leu.

Esse distanciamento entre igreja e a academia já foi bem documentado e não é fácil de resolver. E talvez certa distância precise ser mantida. O que não podemos negar é a dificuldade de o crente interessado em teologia de acessar bons artigos acadêmicos que não sejam, bem, acadêmicos e técnicos demais.

A Pilgrim conhece esse problema. Queremos ajudar. Nos perguntamos: “e se pudéssemos escolher artigos que julgamos relevantes para todo crente e torná-los mais acessíveis?” Bem, acabamos respondendo ela também.

Fizemos uma parceira com a ABC2 (Associação Brasileira de Cristãos na Ciência), bem mais experiente do que nós nessa área, para disponibilizar os seus artigos na nossa plataforma. O manifesto de Plantinga sobre uma filosofia explicitamente cristã, bem como uma apresentação do seu argumento para a racionalidade do teísmo, um resumo da crítica de Dooyeweerd ao historicismo tanto pelo próprio quanto por Roy Clouser, além de artigos sobre temas pouco explorados a fundo no Brasil, como uma visão cristã da psicologia e da tecnologia.

Além disso, como já divulgamos, teremos, com exclusividade no Brasil, todo o material do Instituto Davenant. Compartilhando de sua visão de resgate do protestantismo clássico para enfrentar dilemas contemporâneos, iremos começar com os artigos da sua revista Ad Fontes e com a sua série de Digestos, que buscam trazer pequenas introduções a temas complexos, num estilo claro, vívido e bem prático. Assim, haverá discussões desde a Reforma inglesa e o relacionamento entre Calvino e Lutero até à viabilidade do termo “cosmovisão” e se podemos falar que a ética sexual cristã é um ponto básico de ortodoxia.

Por fim, também teremos a linha Pilgrim Originals. Selecionados de vários rincões poucos explorados do mundo online teológico em inglês, além de artigos inéditos de autores brasileiros, esses artigos serão disponibilizados pensando exatamente nas perguntas que vemos que vocês buscam responder usando e navegando no nosso aplicativo. É quase como ter um teólogo de cabeceira!

Mas não podemos esquecer o propósito disso tudo. Dar acesso a você a artigos que você nunca leria sem um empurrãozinho nosso só é significativo para “repartir convosco algum dom espiritual, para que sejais confirmados, isto é, para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos por intermédio da fé mútua, vossa e minha” (Rm 1.10-11). É por isso que estamos aqui.

Guilherme Cordeiro – Escritor, editor, tradutor e produtor de conteúdo.

Audiolivros Podem Te Fazer Ler Mais

Os audiolivros estão chegando com força no Brasil. Após alguns anos de expectativa e especulação, o formato promete ser uma das grandes novidades do mercado editorial em 2019. Apesar de já ser bem comum nos Estados Unidos e Europa, os audiolivros são algo novo para o público brasileiro. Poucos aqui tem o hábito de ler audiolivros e muitos sequer chegaram a testar o formato.

É provável que leve um tempinho até o formato se consolidar aqui, mas as chances do audiolivro virar moda são muito grandes. Não é atoa que é o que mais cresce no mercado editorial americano há anos. O formato traz praticidade e pode ser consumido de maneiras diversas (para conhecer algumas formas diferentes e legais de ler audiolivros, veja esse post. Além disso, existe um elemento “mágico” no áudio, fruto do trabalho de produção e interpretação dos atores. O objetivo é dar “vida” ao livro.

Uma das maiores vantagens do áudio, que é o foco desse post, vem das suas diferenças para o e-book e o livro impresso. Alguns acreditam, de maneira equivocada, que o digital veio para substituir e eliminar o livro físico. Com os e-books, essa teoria até pode fazer sentido, visto que a pessoa precisa dedicar a mesma concentração para ler um e-book ou um livro físico. Com os audiolivros é bem diferente; você pode ouvi-los em momentos em que normalmente não poderia ou conseguiria ler um e-book ou um brochura (no trânsito, praticando exercícios, lavando louça, faxinando a casa, etc).

Isso faz com que consigamos aumentar nosso ritmo de leitura ao equilibrar a leitura de livros impressos/e-books e audiolivros. Muitas pessoas passam mais de uma hora por dia no trânsito: dirigindo, no uber ou no transporte público, totalizando cerca de 22 horas mensais.

Se esse tempo for utilizado para ouvir audiolivros, leremos cerca de 4 livros por mês e transformaremos momentos de espera em experiências de aprendizado e edificação. Isso considerando só o tempo de trânsito.

Se adicionarmos o tempo praticando exercícios, limpado a casa, no banho, etc… podemos aumentar ainda mais a quantidade de livros lidos por mês.

Outra função dos audiolivros que podem nos ajudar a aumentar a leitura é a aceleração da velocidade. Podemos colocar o player na velocidade 1.25x, 1.5x ou 2x do normal. É uma espécie de leitura dinâmica de audiolivros. Dessa maneira, podemos ler mais ou podemos analisar uma obra que temos curiosidade e, se gostarmos, ouvimos na velocidade normal ou compramos o livro impresso para ler devagar e marcar os trechos preferidos.

Existem diversas maneiras de ler audiolivros. Nós da Pilgrim temos recebido testemunhos bem legais de nossos usuários. Pessoas aprendendo e sendo edificadas em qualquer momento e em qualquer lugar. Nós cremos que o audiolivro é uma tendência que veio para ficar no Brasil e esperamos abençoar muitos irmãos por meio de um serviço de qualidade, com um preço justo e um conteúdo edificante. Vem nos ajudar nessa missão.

Estamos juntos no caminho.

Leonardo Santiago – Cofundador

6 Maneiras De Ouvir Os Audiolivros Da Pilgrim

Audiolivros têm o poder de dar vida à leitura. Não é a toa que são o produto do mercado editorial que mais cresce nos Estados Unidos. Um estudo da Associação de Editoras Norte-Americanas (Association of American Publishers), constatou crescimento de dois dígitos pelo quinto ano consecutivo em 2017, comprovando que esta é a grande tendência e está chegando com tudo no Brasil, especialmente graças à popularização dos smartphones e a praticidade da experiência com aquilo que tanto amamos: LIVROS.

O formato ainda tem ares de uma grande novidade e pensando nisso preparamos algumas sugestões simples para te ajudar a conhecer e incluir os audiolivros na sua rotina. Estas dicas nasceram da experiência e da paixão da nossa equipe por audiolivros, e foram pensadas para que você possa extrair todo o potencial que os audiolivros podem ter no seu dia-a-dia.

1 – OUÇA NO CAMINHO PARA SEU TRABALHO/ESCOLA

Jornais como The Guardian, NY Times e a revista Forbes são conhecidos por publicar colunas, manchetes e artigos sobre a popularidade do uso de audiolivros, especialmente testemunhos de usuários que optaram por fazer uso em seus carros. Quando pensamos no contexto das grandes cidades, em que o fluxo de trânsito é intenso e toma boa parte do tempo diário em jornadas para o local de trabalho, a opção pode preencher o tempo de deslocamento com conteúdo de qualidade que instrui e orienta os pensamentos naquele momento a coisas proveitosas para quem ouve.

Já quem opta diariamente por utilizar o transporte público (ônibus, metrô e até mesmo bicicletas) também se beneficia! Os períodos no trânsito, muitas vezes com pouco ou nenhum conforto para usufruir de atividades de abstração como a leitura de um livro impresso, passam a ser melhor aproveitados. Quando não tiver lugar para sentar no ônibus ou no metrô, coloque seus fones e dê play no app para conectar os pensamentos nas verdades que edificam, constroem e confortam nossas almas.

2- OUÇA ENQUANTO FAZ SUAS ATIVIDADES EM CASA

Quem trabalha em casa sabe bem que as atividades domésticas demandam esforço e dedicação diária. Lavar louças, roupas, banheiro, organizar o quarto, passar as roupas, cozinhar e as grandes e divertidas faxinas de verão. Cada família tem um jeito de organizar as tarefas do lar, seja lá qual for o estilo, elas serão ainda mais ricas e divertidas ouvindo um audiolivro. Coloque o som bem alto e edifique a sua mente e o seu coração enquanto você cuida do seu lar.

3 – OUÇA NO TREINO, CAMINHADAS E MOMENTOS DE DESCANSO

Um ambiente bastante comentado pelos usuários é a academia. A praticidade do audiolivro durante as atividades físicas é mais uma opção para ser edificado durante os treinos. Neste item, vale a pena também fazer menção às atividades ao ar livre e seu lugar em diferentes níveis de intensidade de exercícios, indo de treinos intensos de musculação à atividades de caminhada, meditação e, por que não de descanso?

Estas modalidades tão distintas têm em comum o fato de que exigem concentração por parte de quem as pratica, e a audição de livros é uma ótima pedida para tornar estes momentos ainda mais agradáveis.

Você pode contemplar uma bela paisagem enquanto aprende com o seu audiolivro, ou pode usar o recurso para manter-se focado e ao mesmo tempo com menor tensão durante seus treinos. É uma opção ao music player, e ao invés de meramente entreter a sua mente te fará pensar além, exercitando corpo, mente e espírito.

4 – OUÇA COM A SUA FAMÍLIA

Como cristãos, entendemos a importância de atividades comunitárias no corpo de Cristo, especialmente no ambiente familiar.

Os audiolivros funcionam bem em cultos familiares, devocionais em conjunto e como recurso para o ensino de crianças. Na Pilgrim, o conteúdo está expandindo-se semanalmente e graças à rica variedade de literatura, você pode escolher o que se encaixa melhor à realidade e à rotina da sua família para abençoar as atividades espirituais que são feitas em comunhão.

5 – OUÇA NAS SUAS DEVOCIONAIS

Outro item de grande importância na caminhada cristã é a realização de atividades de solitude.

Solitude é o estado de privacidade e introspecção em que nos recluímos a estarmos sós para assim contemplarmos melhor a realidade ao redor bem como o nosso interior.

O próprio Jesus quando ensinou sobre a oração aos seus discípulos no registro do evangelho de Mateus, disse:

“Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará.” (Mateus 6:6)

Nestes momentos de oração e devoção do seu tempo ao Senhor, os devocionais em áudio funcionam como um instrumento para te aproximar de Deus e orientar o seu estudo da Palavra.

6 – OUÇA ONDE QUISER

No final das contas, a sua criatividade tem um papel muito importante neste processo. Onde você gosta de ouvir? No banho? Assistindo o por-do-sol? Empinando pipa ou fazendo malabarismo? Ok, pode parecer exagerado, mas nossa dica é que você aproveite-os em lugares em que gosta de ouvir para você crescer na fé (mesmo que sejam eles inusitados).

Conte-nos sobre como tem sido seu aprendizado! A gente vai amar conhecer mais sobre a sua rotina e como podemos te abençoar por meio dos audiolivros.

Coloque os fones e aperte play.

Ana Salomão – Equipe de marketing e conteúdo – The Pilgrim

Você Já Conhece A Iniciativa L’Abri?

Por que os cristãos parecem tão artificiais às vezes? Por que as suas vidas parecem tão desconectadas do que dizem crer? Como saber se Deus existe? É possível saber, não apenas achar, que Cristo ressuscitou? O Cristianismo tem algo a dizer em público, ou é algo de foro íntimo para conforto emocional? Existe alguém que pode nos ajudar a responder essas perguntas?

Todas essas perguntas são relevantes e já foram feitas várias ao longo da história, mas parecem ter um peso peculiar com a sociedade contemporânea. E foi para respondê-las (e viver as respostas) que o L’Abri existe. O primeiro L’Abri (termo francês que significa “abrigo”) foi fundado nos Alpes Suíços em 1955 pelo casal Francis e Edith Schaeffer. Eles começaram a abrir sua casa para receber estudantes, inicialmente amigos de seus filhos, em busca de respostas a dúvidas sobre Deus e o mundo naquele tempo tão turbulento culturalmente de meados do século XX. 

A partir daí foram fundadas comunidades L’Abri em várias partes do mundo. O L’Abri Brasil foi oficialmente fundado em maio de 2008 e tem por obreiros Guilherme de Carvalho e sua esposa Alessandra de Carvalho, Rodolfo Amorim e Vanessa Belmonte. O L’Abri é um centro de estudos e de vida comum, que almeja viver de forma integral a realidade da comunhão com Deus. Assim, para o L’Abri, a verdadeira espiritualidade não pode deixar de ser verdadeiramente humana, incluindo tanto uma vida de gratidão para com Deus “momento a momento”, em todos os aspectos da vida, quanto relacionamentos humanos reais e pessoais em comunidade.

Selecionamos, então, alguns recursos para você conhecer o trabalho do L’Abri (caso queira mais informações sobre atividades desenvolvidas, e talvez até reservar uma vaga para se hospedar na casa, veja aqui).

Palestras L’Abri, especialmente Cristianismo essencial e L’Abri essencial

Várias palestras e conferências feitas pelo L’Abri Brasil em seus dez anos de história estão disponíveis na Pilgrim. Esperança, felicidade, vocação, esgotamento espiritual com o meio cristão, identidade, fé e racionalidade, apologética, ética cristã, Gênesis e ciência, cinismo, sentimentalismo, enfim, há muito material sobre teologia cristã, vida cristã e cultura contemporânea. Mas para conhecer melhor temas centrais do L’Abri de forma mais simples e didática, as duas séries fundamentais de palestras são o L’Abri essencial (disponíveis no YouTube) e o a série Cristianismo essencial (disponível no nosso app).

A primeira, tendo como preletores os obreiros já citados, conta um pouco da história do L’Abri e as ideias que o inspiraram, a saber: a centralidade do senhorio de Cristo para o sentido de todas as coisas, intelectuais ou práticas, públicas ou privadas; a necessidade de respostas honestas e bem-fundamentadas a dúvidas honestas e bem-fundamentadas sobre a fé cristã; e a obra espiritual da verdadeira hospitalidade.  

A série Cristianismo essencial é uma instrução inicial sobre a fé cristã, sem perder o enfoque existencial e de engajamento cultural típico do L’Abri. Passando pelo instrumental básico da catequese cristã histórica (Credo Apostólico, Pai Nosso e Dez Mandamentos), bem como pela caracterização básica da ética cristã com as virtudes da fé, esperança e amor, ela também aprofunda as ideias da série anterior sobre o senhorio integral de Cristo e a veracidade da fé cristã como a resposta às questões mais profundas da existência humana. 

Curso de Allen Porto sobre Schaeffer.

Depois de ouvir algumas dessas palestras, você pode ficar mais curioso sobre a vida e o pensamento do pequeno e franzino homem barbudo que era Francis Schaeffer. Nessas aulas, também disponíveis na Pilgrim, sobre um dos maiores líderes cristãos do século XX, não apenas os temas de suas principais obras serão resumidos, mas também a conexão entre esses insights e a caminhada cristã na vida ordinária, como o próprio Schaeffer sempre procurava fazer. 

Embora alguns livros do autor já tenham sido traduzidos, o conhecimento sobre a sua vida, que é essencial para entender o seu pensamento, encontra-se disperso em várias obras ainda não disponíveis para o público brasileiro mais amplo: suas biografias, os escritos de sua esposa, Edith Schaeffer, e as histórias passadas de geração em geração por obreiros do L’Abri. Allen Porto reúne todo o seu vasto conhecimento sobre esses tópicos, realmente, o trabalho de uma vida, exposto de forma didática nessas vídeo-aulas.

Também é bom complementá-las com a série de palestras dada por Guilherme de Carvalho na Escola Charles Spurgeon e esse artigo dele sobre a contínua relevância do fundador do L’Abri para o século XXI. 

Para quem quer mais

A melhor maneira de conhecer uma pessoa é conversando com ela. Quando ela já morreu, você ainda pode ouvir a sua voz nos seus escritos. E é assim que você realmente vai poder conhecer a Francis Schaeffer: por meio de seus livros. Para começar e entender a descoberta fundamental do fundador do L’Abri sobre sua vida cristã e realidade que foi a base para todo o resto da sua obra, veja o livro Verdadeira Espiritualidade. É nesse contexto, no contexto do calor humano da sua visão de espiritualidade, que a sua defesa intelectual do Cristianismo precisa ser posteriormente estudada, como o próprio Schaeffer recomendava.

Para entender o que Schaeffer pensava ser o dilema básico do homem moderno, e como o Cristianismo tanto fazia parte disso quanto oferecia a única solução, vá para o livro Como Viveremos? (o qual também está disponível numa série de vídeos legendados aqui).

A partir daí, você estará preparado para embarcar na trilogia clássica: O Deus que intervém, A Morte da Razão e O Deus que se revela. É nessa trilogia que o próprio Schaeffer considerava estar o que era essencial para entender todo o resto que ele escreveu (vinte e três livros ao todo), especialmente no que toca à profunda necessidade do homem moderno por verdade, beleza e significado da vida, desde suas raízes históricas até a resposta robusta que o Cristianismo oferece.

Porém, para conhecer Schaeffer e o trabalho do L’Abri de verdade, nada substitui a participação em uma das unidades do L’Abri ao redor do mundo. Pois, como Schaeffer diria, “a ortodoxia bíblica sem compaixão é com certeza a coisa mais horrenda do mundo”.

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O Devido Trabalho De Um Pastor: Como Eu Vou Lembrar Eugene Peterson

Nesta semana demos às boas-vindas para Eugene Peterson na nossa plataforma com o livro A Oração que Deus Ouve. Conhecido por sua paráfrase da Bíblia, A Mensagem, esse autor morreu em 22 de outubro de 2018, aos 85 anos. Traduzimos este texto para te incentivar a começar a saborear um pouco do rico legado deixado por esse irmão.

Eu só encontrei Eugene Peterson uma vez.

Em 2014, um amigo e eu publicamos uma coleção de ensaios por uma série de pastores e acadêmicos lidando com a visão de Peterson para a vida pastoral. Na primavera daquele ano, o Western Theological Seminary hospedou uma conferência baseada no livro e convidaram Peterson. Para a minha surpresa, Peterson, já na sua oitava década e aposentado de aparições públicas, concordou participar. 

A conferência caiu no seu aniversário de 82 anos.

No jantar do seu aniversário, eu me sentei na mesma mesa do que ele. Eu me lembro da nossa reverência para com a sua idade e sabedoria. Eu me lembro de ouvir as suas histórias. Eu me lembro de como ele nos fez rir. Eu me lembro de como ele sorria quando cantávamos Parabéns para ele.

Mas, naquele ponto na minha vida, Peterson já tinha deixado a sua marca em mim. Jantar com ele foi só a cereja do bolo.

Deserção Pastoral

Anos atrás, eu estava lutando como pastor para mudar os rumos de uma igreja. Eu estava convencido de que o poder da minha liderança, a profundidade da minha pregação e a minha personalidade carismática e sociável, sem mencionar a minha humildade, eram suficientes para salvar um navio de um naufrágio. Eu tentava muito ser o líder visionário que o meu bispo me convencera que eu deveria ser.

E eu tive um sucesso moderado, o que deixou tudo pior.

Eu estava cansado, e eu tinha uma inquietação persistente de que não era assim que o ministério deveria ser. Foi então que eu descobri a obra de Peterson, ou pelo menos foi aí que eu acordei e ouvi o que ele tinha a dizer.

Em alguns de seus livros, Peterson parecia briguento, reclamando com seus colegas pastorais por abandonarem seu devido trabalho, por desertarem. Ele cria que os pastores americanos tinham deixado de ser pastores e começaram a ser CEOs e gestores. Eles começaram a “gerir igrejas” ao invés de pastoreá-las. Eles tinham começado a usar a linguagem para convencer, persuadir e bajular ao invés de proclamar, orar e curar. Eles tinham se esquecido de que a igreja pertence a Deus, e começaram a crer que era trabalho deles consertá-la.

Quando eu li isso, eu soube que era assim que eu estava tentando ser pastor.

O nosso devido trabalho

Vez após vez em seus livros, Peterson usou a frase “devido trabalho” como um resumo de uma alternativa: o que ele cria constituir o coração da vocação pastoral.

E a sua alternativa era salutar. Vamos imaginar que Deus está agindo nas nossas congregações, sugeriu. Vamos imaginar que a iniciativa não pertence a nós, mas a Deus. Vamos imaginar que o nosso trabalho é discernir o que Deus está fazendo e entrar no fluxo da obra graciosa de Deus.

Peterson dizia que quando imaginamos que estamos gerindo uma igreja, fazemos perguntas do tipo: “O que faremos? Como podemos fazer as coisas se agitarem de novo?” Mas quando redescobrimos o nosso devido trabalho, levar uma congregação a discernir o que Deus está fazendo e então responder a isso, um conjunto diferente de questões nos orienta: “O que Deus está fazendo aqui? Que traços da graça eu posso discernir nesta vida? Que história de amor eu posso ler neste grupo? No que Deus deu a partida e quer que eu entre à bordo?”

Peterson convidava os pastores a caminhar pela estrada que ele pensava estar ficando em desuso.

Na sua perspectiva, as nossas congregações não são problemas a serem solucionados, mas playgrounds do Espírito Santo. O nosso trabalho é discernir o que o Espírito está fazendo e responder em fé ao convite do Espírito para brincar.

Lembrando Peterson

Eu já esqueci alguns aspectos daquela conferência em 2014. Eu não lembro qual foi a história que Peterson contou que nos fez rir. Eu nem lembro o que eu disse no paper que eu apresentei na conferência, ou da resposta de Peterson.

Mas eu nunca vou esquecer como a sua visão de ministério reconstruiu a minha. Como ele me convidou a parar de pensar que eu era o único que estava fazendo o trabalho. Como ele me lembrou que há Outro no nosso meio que também está trabalhando e que o meu trabalho como pastor era ajudar uma congregação a discernir como participar no que esse Outro estava fazendo.

Foi como ele me chamou de volta para o meu devido trabalho.

Original aqui

Traduzido por Guilherme Cordeiro.

4 Padrões Para Avaliar A Arte A Partir De Francis Schaeffer

Frequentemente somos culpados de julgar a arte com uma visão preto no branco. Podemos dizer “Gostei. É muito bom”. Ou negativamente, “não gostei, é ruim”.

Nos seus inteligentes ensaios sobre arte (publicados como A arte e a Bíblia pela IVP Classics [e no Brasil, pela Ultimato e disponível na Pilgrim]), Francis Schaeffer nos fornece ricos critérios para avaliar a arte.

A perspectiva de Schaeffer sobre a Arte

Antes de olharmos os critérios avaliativos de Schaeffer, é importante entender a perspectiva de Schaeffer sobre a arte. A minha esperança é que as citações abaixo vão instilar em você (como elas fizeram comigo), (1) uma visão mais ampla da supremacia de Cristo e (2) um senso mais profundo do que torna a criatividade valiosa.

1. A verdade do Cristianismo é universal e abrangente, e não compartimentalizada. A verdade sagrada não é desassociada da verdade secular e então exilada na “narrativa do andar de cima”.

“O cristianismo não é apenas ‘dogmática’ ou ‘doutrinariamente’ verdadeiro; ele é verdadeiro também em relação ao que está diante de nós, verdadeiro em relação a todas as coisas em todas as áreas da existência humana” (p. 18) 

2. Cristo é o Senhor de tudo. A sua redenção é para o homem todo. Isso, é claro, inclui a capacidade de criar e gozar da  arte.

“Sua alma é salva, bem como sua mente e seu corpo” (Ibid., p. 17)

“Cristo é o Senhor de nossa vida como um todo e a vida cristã deve produzir não apenas verdade — uma verdade arrebatadora —, mas também beleza” (p. 40)

3. A criatividade na Bíblia nem sempre é uma representação “fotográfica”, nem é meramente utilitária.

“Na natureza, as romãs são vermelhas; porém, estas romãs deveriam azul, púrpura e carmesim. Púrpura e carmesim podem ser variações de tonalidade no amadurecimento de uma romã, mas azul, não. O princípio é que há liberdade para se fazer algo a partir da natureza, que seja distinto dela e que possa ser levado à presença de Deus. Em outras palavras, a arte não precisa ser “fotográfica”, no sentido mais simples da palavra fotografia!” (Ibid., p. 23) 

“O templo era coberto de pedras preciosas para ornamento. Não havia razão pragmática — elas não possuíam valor utilitário algum” (Ibid., p. 24)

4. A obra criativa tem valor porque, por meio dela, espelhamos a Deus, o Criador.

“Tendo sido feitos à imagem do Criador, somos chamados à criatividade. De fato, sermos criativos ou termos criatividade faz parte da imagem de Deus em nós.” (Ibid., p. 45)

5. A arte é um meio de comunicação

“… a arte é somente a materialização de uma mensagem, um veículo para a propagação de uma mensagem particular sobre o mundo, o artista, o ser humano ou qualquer outra coisa” (Ibid., p. 48)

Em resumo, todas as coisas estão sob o senhorio de Cristo; isto inclui a arte inerentemente e a Bíblia a inclui explicitamente. E, embora não sejamos imunes à abrangência do nosso pecado, a obra criativa é, ela própria, derivada de Deus. Quando criamos refletimos a imagem de Deus.

Os quatro padrões de avaliação

Schaeffer nos fornece quatro padrões de avaliação para usar quando avaliamos a arte. Eles nos ajudam a tanto gozar da obra de arte mais plenamente e discutimos ela para além de um simples “bom” e “ruim”.

1.    Excelência técnica

“Discutiremos a excelência técnica em relação à pintura, pois com ela é mais fácil demonstrar o que queremos dizer. Consideramos aqui o uso da cor, da forma, do tom, a textura da tinta, o manuseio das linhas, a unidade da tela e assim por diante. Em cada um desses aspectos pode haver vários graus de excelência técnica. Ao reconhecer a excelência técnica como um aspecto de uma obra de arte, podemos ser capazes de dizer que, ainda que não concordemos com a cosmovisão de um determinado artista, não obstante, ele é um grande artista” (p. 53)

Algo pode ser excelente tecnicamente mesmo que deixe a desejar em outras áreas. Essa categoria dá a nós, os apreciadores, uma oportunidade de afirmar algo sobre a dignidade deste artista (e seu trabalho) como portador da imagem de Deus.

2. Validade

“Aqui questionamos se um artista é honesto consigo mesmo e com sua cosmovisão ou se faz sua arte apenas por dinheiro ou para ser aceito” (Ibid., p. 54) 

Isso não e o mesmo de dizer que um artista não deve ser pago ou reconhecido. Pelo contrário, se um artista é primariamente motivado por sucesso financeiro ou fama ao invés de a mensagem que ele está comunicando, ela será superficial ou, na melhor das hipóteses, diluídas. Em suma, a obra perdeu a sua integridade.

3. Conteúdo intelectual (cosmovisão) 

“O terceiro critério para o julgamento de uma obra de arte é seu conteúdo, que reflete a cosmovisão do artista. No caso dos cristãos, a cosmovisão comunicada por meio da arte precisa ser vista sob a ótica da Escrituras. A cosmovisão do artista não pode ser isenta do julgamento da Palavra de Deus” (Ibid., p. 55)

Este terceiro critério, creio eu, é mais importante do que todos os outros. O que o artista está dizendo sobre o mundo? É verdade? Embora não rejeitemos todas as outras categorias, se discordarmos da mensagem da obra, discordamos do próprio fim central para que ela foi criada.

E o artista não cristão? Este critério não quer dizer que todo artista precisa ser cristão a fim de ser avaliado com louvor nesse ponto (ibid., p. 57). Assim como cristãos devem afirmar verdades objetivas na natureza ao lado de cientistas não cristãos, devemos afirmar uma mensagem da arte que é verdadeira (p. ex., beleza na natureza ou na experiência da depravação humana). isso pode ser feito mesmo se o próprio artista não atribui a sua mensagem à realidade objetiva de Deus no mundo.

4. Integração entre o conteúdo e o veículo

“Nas obras de arte verdadeiramente grandiosas, há uma correlação entre o estilo e o conteúdo. A arte superior encaixa o veículo usado à cosmovisão que está sendo representada (Ibid., p. 58-59)

Embora várias formas artísticas sejam adequadas para várias mensagens, nem todas comunicam da mesma forma. Deve-se prestar atenção se não se está tentando lançar um romance por meio de tweets. Ao mesmo tempo, pode-se sair de uma apreciação da obra de Rembrandt, O Retorno do Filho Pródigo, com uma rica soteriologia.

Conclusão

O senhorio de Cristo é completamente supremo sobre tudo que é visível e invisível, o todo da vida. Isso inclui a criatividade, que é demonstrada por Deus e pelo homem, que foi feito à imagem de Deus. A Bíblia está cheia de exemplos de expressão criativa e artística. O homem espelha a Deus quando cria. Isso é bom. E enquanto esse refletir a Deus pelo homem é distorcido pelo pecado, a redenção em Cristo é para o homem todo.

Toda obra de arte comunica conteúdo, mas nem toda obra de arte é igual a outra. Buscamos o conhecimento e o entendimento do conteúdo sendo transmitido para que ele possa ser aceito ou rejeitado. Dito isso, quando avaliamos a arte, deveríamos evitar uma avaliação simplista. Devemos procurar critérios adicionais, como a excelência técnica, a validade, e a integração entre conteúdo e veículo. O artista tem dignidade. Cada artista deve ser afirmado inteligentemente por suas habilidades dadas por Deus à medida que elas são exibidas.

Original aqui.

Traduzido por Guilherme Cordeiro.

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5 Recursos Para Começar

Mexer com teologia é um negócio engraçado. Você vai encontrar pessoas que juram que ela esfria o crente junto com outras que não veem outro caminho melhor para o crescimento espiritual do que devorar o último calhamaço de teologia sistemática. Sem falar do caricato pastor que não lê um livro desde que se formou no seminário sendo exortado pelo adolescente calvinista que se encontra na fase da jaula. 

Mas por onde começar nesse admirável mundo novo da teologia?  

“Fim é lugar de onde partimos (…) E o fim de toda a nossa exploração/ Será chegar ao ponto de partida/ E o lugar reconhecer ainda/ Como da primeira vez que o vimos”, já disse T. S. Eliot. A nossa experiência de crescimento da fé cristã é muito semelhante à descrição do poeta britânico. Não importando a quantidade de estudo e avanço na fé cristã,  o Reino dos céus ainda é para os que são como crianças (Mc 10.14), a sabedoria de Deus é para os tolos e fracos (1Co 1.26-29) e o Pai escolheu revelar aos pequeninos os mistérios da fé (Mt 11.25). E para começar a estudar teologia não pode ser diferente: é comer da mesma refeição que o cristão mais maduro também come, só que ele já está com o paladar mais aguçado. Então, qual vai ser o nosso menu?

Com tantos recursos disponíveis para a edificação intelectual do cristão,  dizer “comece aqui” parece ser incrivelmente prepotente. Mas introduções são assim. E talvez o seu valor resida em fornecer tanto ao que quer começar a estudar quanto ao experiente consumidor teológico um bom mapa para o caminho à frente, mas que também destaque pontos interessantes de se voltar. Portanto, são esses recursos da Pilgrim que recomendamos para quem está só começando. 

1.        Cristianismo essencial (série de palestras L’Abri Brasil): é bom começar onde os cristãos sempre começaram. O Credo Apostólico, a Oração do Senhor e os Dez Mandamentos são o instrumental básico da instrução da igreja aos novos cristãos. Mas como podemos conectar isso tudo com a cultura contemporânea? Nessa série de palestras, Guilherme de Carvalho e Rodolfo Amorim, obreiros do L’Abri Brasil, dão a resposta. Seguindo a tradição da organização fundada por Francis Schaeffer (veja o nosso post sobre o L’Abri), essas palestras pretendem esboçar os contornos básicos da fé cristã sem se esquecer dos dilemas teóricos e práticos do homem contemporâneo.

2.        Por Que sou Cristão (John Stott): o pastor anglicano John Stott, um dos teólogos evangélicos mais populares do século XX, concebeu este livro como uma justificação da fé cristã a partir da ressurreição historicamente confirmada de Jesus e uma explicação básica do evangelho da graça para convencer incrédulos e fortalecer a fé dos crentes.  

3.        Um Guia Para a Nova Vida (Wilson Porte Jr.): Jesus ordenou o discipulado como meio de ingresso na vida da igreja (Mt 28.18-20). Mas por onde devemos começar no ensino “a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (que não são poucas)?  Com atenção aos recursos básicos da instrução cristã (Credo Apostólico, Pai Nosso e Dez Mandamentos), complementados por uma exploração do evangelho e das ordenanças do batismo e da Ceia, Wilson Porte Jr. fornece exatamente o que novos discípulos procuravam: um guia didático a doutrinas comuns aos cristãos evangélicos para quem está começando.

4.        Dois Dedos de Teologia (Yago Martins): O pastor Yago Martins, do canal Dois Dedos de teologia, foi um dos primeiros brasileiros a usar a internet como meio de divulgação de teologia de qualidade. Naturalmente, ele já sofreu bastante com isso. O que lhe deu muita experiência para responder a dúvidas práticas que surgem na cabeça dos cristãos. Será que o dízimo é só para financiar pastor ladrão? Posso beber e fumar? Até onde é longe demais no namoro? E esse negócio de homossexualidade ser pecado? Colocando no papel o que já expusera em muitos de seus vídeos, este livro é um ótimo recurso para respostas diretas, mas bem-fundamentadas, a cada uma dessas perguntas.

5.        O Caminho do Peregrino (N. T. Wright): N.T. Wright é um renomado teólogo britânico anglicano, especialista em teologia do Novo Testamento, sendo um dos maiores contribuidores para discussões contemporâneas sobre a historicidade da ressurreição de Jesus e a teologia do apóstolo Paulo. Porém, seus anos como bispo de Durham lhe renderam uma preocupação pastoral permanente. Entre seus livros mais populares, nesta obra seu objetivo é alcançar  pessoas, jovens ou idosas, preparando-se para a profissão pública de fé, com uma exposição sólida de alguns pontos centrais do cristianismo

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