O corpo e o seu prazer: por uma ética sexual evangélica (Matthew Lee Anderson)

Se houvesse uma corrida armamentista pelo sexo, os evangélicos estariam ganhando.

Nas últimas três décadas, o cristianismo evangélico passou pelo que parece ser a sua própria revolução sexual. Desde 1973, quando foi publicado o livro A mulher total de Marabel Morgan, os evangélicos mantêm um foco profundo em maximizar o prazer entre lençóis — ou onde quer que venha a inspiração. Estamos vivendo na “era de outro dos manuais sexuais cristãos”, como batizou o escritou Mark Oppenheimer.[i]

Como boa parte de seu pensamento sobre outras áreas da vida, o manual sexual evangélico possui intenções apologéticas. O argumento implícito — e às vezes até explícito — é que, uma vez que Deus planejou o sexo para ser feito dentro do casamento, os cristãos deveriam fazer sexo mais e melhor que qualquer outra pessoa.[ii] Ou, como dois estudiosos que analisaram manuais sexuais evangélicos da década de 1980 disseram, somos aparentemente “o povo eleito de Deus na área da sexualidade.”[iii] Os desafios cada vez mais comuns que vêm dos púlpitos evangélicos exortando ao sexo diário sugerem que tal vocação é irrevogável.[iv]

“Arrebatamento”, “enlevo”, “êxtase”, “poderosa transcendência” — essa é a propaganda que os evangélicos fazem do bem do sexo dentro do casamento e, até onde sabemos, tem funcionado. Quando a Universidade de Chicago fez um amplo estudo sobre o sexo nos Estados Unidos, eles descobriram que mulheres protestantes conservadoras experimentam satisfação sexual muito mais que qualquer outra denominação religiosa.[v] Um estudo mais recente confirmou a pesquisa, descobrindo que a mulher cristã evangélica faz mais sexo e possui mais satisfação que outros recortes demográficos.[vi]

Essa história raramente se conta no púlpito ou na mídia, ambos aparentemente contentes a apresentar estereótipos exagerados de evangélicos como enrustidos sexuais (como o moralista kenneth de 30 Rock). Os evangélicos mais jovens — especialmente os que foram criados na subcultura evangélica — parecem ter um agudo entendimento de que algo está faltando na abordagem evangélica sobre o sexo. Quer isso se expresse com uma fala franca sobre sexo do púlpito ou por argumentos de se conectar Deus e sexo — como Rob Bell fez no seu livro Sex God —, todo mundo parece ter a impressão de que a compreensão evangélica sobre o sexo está profundamente equivocada.

Creio haver uma boa razão para isso. A maioria dos jovens evangélicos foram criados em grupos de mocidade em que discussões sobre a bondade da sexualidade foram inevitavelmente absorvidas pelas tentativas compreensíveis de convencer todo mundo de não tirar a roupa. É claro, isso pode ser culpa da mocidade. Quando tudo que você pensa é pegar o biscoito, o sermão da sua mãe sobre a bondade dos biscoitos será bem menos memorável que a sua restrição de esperar para depois do jantar. Os jovens com hormônios a flor da pele precisam de pouco convencimento de que o sexo dentro do casamento é bom. Além disso, apresentar a sexualidade saudável de modo a ser cativante o suficiente para as pessoas quererem esperar para o sexo depois do casamento enquanto ao mesmo tempo não se exagera a sua tentação de entrar em fantasias sexuais é uma arte delicada. E com certeza não é dominada pelos evangélicos.

Mas o desencanto com os ensinos evangélicos sobre o sexo também aponta para uma causa diferente e mais problemática. Mesmo com todos nossos esforços para recuperar a bondade do prazer, o nosso entendimento da sexualidade humana ainda não é muito profundo. Os argumentos mais sonoros dentro do evangelicalismo de que o prazer é bom beiram a gritar defensivamente: “Ei, aqui tem prazer também!” num mundo que liga pouco sobre o resto. Os evangélicos podem e devem vencer a guerra do prazer, mas não nos termos do mundo. E, a julgar pela nossa literatura e pelo nosso estilo de vida, estamos perto de tratar o prazer sexual como um ídolo mais do que jamais estivemos de tratá-lo como uma maldição.

Nus e sem vergonha

O presente divino do prazer sexual começou no jardim. Mas o relato da sexualidade humana visto nas primeiras páginas de Gênesis é bem menos claro do que gostaríamos. Na verdade, essa ambiguidade permitiu aos primeiros cristãos visões diferentes sobre o sexo, indo de uma parte boa e natural da criação humana a um resultado inevitável da queda e uma forma necessária de superar nossa mortalidade.

Entretanto o que está obscuro no jardim se torna mais claro no restante da Bíblia.[vii] O cânon da Escritura se interpreta, comentando, expandindo e esclarecendo passagens que de outro modo seriam consideradas ambíguas. O teólogo Robert Jenson aponta, por exemplo, que o incrivelmente erótico livro de Cantares funciona na Escritura como “o principal recurso bíblico para uma compreensão de fé da sexualidade humana, do significado vivido do ‘homem e mulher os criou.’”[viii] Cantares usa sua poesia e alusões para afirmar ricamente a bondade do mundo criado (ver 2.16-17; 4.12-15ss). Ao elaborar em parte as primeiras páginas de Gênesis, afirma que o desejo sexual pode ser o que outrora fora — “muito bom”.

A afirmação da bondade da criação original também se destaca em alguns dos principais textos do Novo Testamento. Quando perguntado sobre divórcio em Mateus 19.5, Jesus responde afirmando que no casamento homem e mulher “não são mais dois, mas uma só carne”. Ele enfatiza duas vezes nessa passagem que foi assim “desde o princípio”, reforçando que o padrão original da sexualidade humana pode ser visto em Gênesis. Paulo argumenta semelhantemente ao repreender o entendimento dos coríntios sobre sexualidade em 1 Coríntios 6.

Todavia Efésios 5 dá um passo além, tornando o referente primário do amor matrimonial Cristo e a igreja. Paulo adota a linguagem de Gênesis, mas então aponta para sua manifestação mais profunda e mais clara: “Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja.”[ix] Paulo adota essa metáfora matrimonial em vários lugares a partir do Antigo Testamento.[x] Como Cristo e a igreja são os referentes primários do relacionamento matrimonial, é Cristo que serve como padrão de nossa sexualidade ao invés de nossa sexualidade ser o padrão para entendermos Jesus.

A narrativa de Adão e Eva nas primeiras páginas de Gênesis, então, é o pulsar da sexualidade cristã, mas a dinâmica de seu amor juntos não se clareia a não ser na cruz, que reabre a possibilidade de um prazer sexual saudável e íntimo para nós humanos. O que quer que pensemos do conteúdo histórico de Gênesis — o que não quer dizer que não seja importante —, Jesus e Paulo tratam a inocência e bondade originais da sexualidade humana como a nossa história, como revelando um padrão que foi rompido pelo pecado e que foi restabelecido e restaurado por meio do amor redentivo de Cristo.

O que se segue neste capítulo, então, não é uma abordagem completa da sexualidade humana, mas a minha tentativa de expor o que penso ser singular sobre a sexualidade cristã num mundo que adora o sexo. O meu objetivo é dizer o que eu penso que a Escritura diz que o sexo é ao invés de me concentrar primeiramente no que o sexo não é. Naturalmente, baseio-me na doutrina do corpo que esbocei nos capítulos anteriores para montar meu argumento. Mas devo observar que muito do que se segue é profundamente influenciado — embora não seja uma tradução direta — de Teologia do corpo por João Paulo II.

Sexo como autoentrega

“Não é bom que o homem esteja só.”

E com isso Gênesis destaca a natureza essencialmente social da pessoa humana. Em cada etapa da criação, Deus viu que a sua obra era boa. Contudo, a bondade da humanidade nãos e realiza em nossa solidão, mas na nossa conexão e relacionamento com outros que estão diante de Deus na mesma condição que nós.

Esse é o tema básico, penso eu, do que Adão diz a Eva: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne.”[xi] Ele prossegue para destacar uma forma em que são diferentes, mas o seu primeiro impulso é ver que eles são da mesma espécie, singulares na ordem da criação e singularmente relacionados a Deus. O primeiro relato da criação coloca nos seguintes termos: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” A terceira frase explica a primeira — homem e mulher são feitos à imagem de Deus juntos, o que significa que o nosso relacionamento para com Deus como sua imagem se trata do fundamento de uma sexualidade saudável e cristã.

Passando para a última frase do capítulo 2, nós vemos que a sexualidade de Adão e Eva são indissociáveis da totalidade de sua vida comum. “Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.” Não há dimensão um do outro que seja preservada ou retida. Contudo, chamar sua nudez de “autorrevelação” é quase que equivocado: a sua falta de atenção consciente a seus corpos significa que não há um abismo entre sua visibilidade corpórea e sua presença pessoal. O seu eu se manifesta em e por meio de seu corpo, e vice-versa. Ou, como diz João Paulo II, não há “rompimento e oposição interiores entre o que é espiritual e o que é sensível.”[xii] Em outras palavras, não há distância entre seus corpos e sua presença pessoal no mundo.

Contudo a comunhão entre Adão e Eva não é estática. A presença pessoal do homem no mundo é ativa e se volta ao exterior — é uma presença em que nos damos a outros em seu benefício e recebemos o seu dom a nós em gratidão. A sexualidade humana, como vista no fato de que Adão e Eva estavam nus no corpo sem vergonha, é constituída por esta autoentrega recíproca. No ato do próprio sexo, o homem se entrega à mulher e a mulher (ao se abrir livremente) se entrega ao homem.[xiii]

Nesse sentido, a sexualidade cristã não é simplesmente uma expressão de um desejo interior vago ou abstrato — é um encontro dinâmico entre um homem e uma mulher na plenitude de sua humanidade perante Deus, que se constitui por sua autoentrega recíproca ao outro para o bem do outro.

Novamente, o que está obscuro nos primeiros capítulos da Bíblia se revela claramente na cruz: é o amor que marca uma sexualidade cristã, mas o nosso modelo de amor é a autoentrega sacrificial na cruz na pessoa de Jesus Cristo. Como João diz em 1 João 3.16: “Nisto conhecemos o camor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.” Deus se entrega ao homem, pelo homem, e, ao fazê-lo, revela a natureza do amor que vincula marido e esposa desde o princípio. Essa sexualidade cristocêntrica é exatamente o que Paulo fala sobre em Efésios 5, quando ele afirma a bondade do casamento cristão ao apontar para o relacionamento entre Cristo e a igreja.

Esse amor moldado por Cristo se contrapõe a noções contemporâneas sobre o sexo em um aspecto muito importante: ele subordina ou atrase a busca do prazer sexual para si em prol do bem e do bem-estar do outro. Buscar um orgasmo pode parecer um “egoísmo sexual sadio”, como Douglas Rosenau coloca em A Celebration of Sex.[xiv] Porém, a nossa alegria como cristão não se motiva fundamentalmente por nossa experiência de prazer físico, mas pelo amor de autoentrega que nos une no vínculo da paz. E se isso pode implicar adiar ou reter a satisfação sexual em prol do bem do outro. Como disse Paulo numa passagem de Filipenses (2.3) cheia de Cristo, considere cada um aos outros superiores a si mesmo.

Sexo como autoentrega em liberdade

O abraço de Eva por Adão como sua companheira e amante é a sua resposta a uma consciência de sua solidão no mundo. Deus reconhece que não é bom para Adão estar sozinho, então ele imediatamente concede a responsabilidade de nomear os animais. Isso demonstra a autoridade de Adão sobre o mundo, mas também serve ao seu papel de encontrar um par. Ele é o primeiro solteiro frustrado: “para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea” 2.20). Essa busca fornece a Adão um entendimento de sua singularidade dentro da ordem criada. Quando Eva foi criada, ele celebra a sua entrada em cena com a alegria poética de alguém cujo anseio foi cumprido: ““Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne.” (grifo meu)

O corpo é o eu em sua dimensão externa. Mas a experiência de Adão ao nomear os animais deve ter lhe tornado ainda mais ciente da singularidade de seu corpo e de sua posição diante do Criador. Essa atenção aprofundada de como somos diferentes do mundo está no coração de nossa vida interior — e é por isso que as crianças ao crescerem se tornam cada mais conscientes de seus estados interiores e do das outras pessoas. Essa santa atenção preparou Adão para reconhecer e receber a singularidade de Eva como um presente e se entregar a ela sem vergonha ou recriminação,

Mas presentes são dados por liberdade, e não por necessidade. A sexualidade humana autêntica é maior que um ato físico feito por estimulação corpórea ou prazer. É a autoentrega recíproca de duas pessoas em suas dimensões externas, inaugurando uma união que cobre a totalidade de suas vidas. É um transbordar de amor que começa no coração e se mostra nos membros de nossa carne.

Como eu disse antes, esse amor se torna claro na pessoa e obra de Jesus Cristo, que se entrega por nós não por compulsão ou necessidade, mas na alegre liberdade de amar (Jo 10.17-18). A liberda dede Deus nunca é limitada por sua autoentrega — ele nunca deixa de ser o próprio Deus. Da mesma forma, a nossa liberdade de nos entregar em amor e afeição confirma a liberdadede Deus quando o Espírito Santo é derramado em nossas vidas interiores e se manifesta em nossos corpos.

Todavia, entregar-nos livremente exige inerentemente certo domínio próprio — um fruto do Espírito que é essencial para o amor (Gl 5.22). Como Paulo escreveu aos tessalonicenses: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra” (1Ts 4.3-4). A sugestão de Paulo de que controlemos nossos corpos “em santificação e honra” não se baseia na negação do sexo ou do prazer sexual, mas na ideia de que presentes são dados livremente, ao invés de por instinto ou por impulsos incontroláveis. A redução contemporânea do desejo sexual ao nível de um impulso animalesco é nada menos que uma explicação subpessoal da sexualidade humana que desvaloriza a bondade intrínseca da ordem criada por Deus.

Sexo como união

Há uma enorme confusão no ensino cristão sobre a natureza da união “de uma só carne”. Temos uma profunda tendência dentro do evangelicalismo de falar do sexo como se fosse uma fusão das almas. Até o eticista conservador Daniel Heimbach, cuja obra sobre ética sexual é excelente em outros aspectos, sugere: “o sexo é verdadeiramente espiritual e une uma alma com a outra. Isso é verdade, de fato.”[xv]

De fato, isso provavelmente não é verdade — dependendo do que Heimbach tem a dizer por “alma”. Os nossos corpos são o local de nossa presença pessoal, que significa que a nossa união no sexo é bem real. O coito estabelece uma união de pessoas na dimensão visível. À medida que marido e mulher vivem, movem e agem em relação a outros — inclusive seus filhos —, eles o fazem como um só.

Porém, de dentro do relacionamento, marido e mulher permanecem como dois. A alegria do deleite sexual é que a união preserva ao invés de destruir todas as diferenças que tornam o amor possível, antes de tudo. As nossas vidas interiores — as nossas almas — ainda são distintas uma da outra, fornecendo o pano de fundo necessário para a nossa interação e a nossa autoentrega em amor que constitui o casamento. Nesse sentido, a união “de uma só carne” é somente isto: uma união de nossas vidas corpóreas e visíveis no mundo.

Quando comparamos isso a Cristo e à igreja, vemos que no relacionamento da igreja com o mundo ao nosso redor não há uma divisão entre o povo de Deus e seu Salvador. Nós somos o “corpo de Cristo” e aqueles ao nosso redor não diferenciam entre quem somos como cristãos e o Deus que servimos. Contudo, de dentro da igreja, o abismo é infinito. Há apenas um Salvador, um só Senhor Jesus Cristo e a igreja não é ele, mas é formada em resposta a sua morte e a sua ressurreição. A igreja é constituída em sua vida interior pelo culto a Deus e na sua dimensão exterior pelo ministério de reconciliação pelo qual Deus atrai todos a si. Mas a igreja e seu Salvador ainda são distintos entre si.

Vale a pena notar que há outras duas dimensões da união visível que o sexo ratifica. Em primeiro lugar, porque somos criaturas temporais, a união de nossos corpos no sexo envolve as nossas histórias pessoais. As nossas vidas são indissociáveis do tempo — e, quando fazemos sexo, entramos nele da forma como fomos moldados pelo nosso passado e que remoldarão o nosso futuro. É por essa razão que a Escritura diz que o homem “se une” à sua mulher. A união visível ratificada pelo sexo se estende no tempo, assim como nossos corpos; o ato sexual não pode ser separado da aliança que os votos matrimoniais expressam. E porque vivemos num mundo caído, precisamos atentar para as formas que nossas histórias e biografias estão moldando a natureza de nossa união — para o bem e para o mal.[xvi]

Em segundo lugar, porque a união de nossas dimensões externas é real, ela dá autoridade ao outro sobre nós. O argumento de Paulo de que não devemos nos juntar à prostituta porque nos tornamos “um só corpo” com ela (1 Co 6.16) funciona com base nessa lógica. A imoralidade sexual vai contra a ordem que Deus estabeleceu para a sexualidade e a autoridade que o Espírito deveria ter sobre nossos corpos não se encaixa com a autoridade que uma prostituta ganha de nós na união sexual.[xvii] 1 Coríntios 7 desenvolve a ideia de Paulo: “O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e si o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher” (v. 3-4).

Contudo, é importante ressaltar que em nenhum lugar Paulo diz que é benéfico para as pessoas reivindicar de sua autoridade para fazer sexo com seu cônjuge. O seu ponto é que marido e mulher deveriam “conceder” os direitos conjugais ao outro. O seu foco está na autoentrega que constitui a sexualidade semelhante a Cristo, que ele reforça na próxima oportunidade de seu texto ao rejeitar a manipulação sexual: “Não vos priveis um ao outro” (v.5). Como em todas as coisas, é uma cortesia pedir o sexo assim como é uma cortesia dá-lo. E os relacionamentos moldados pelo amor de Deus são constituídos por pedir e receber, ao invés de exigir ou dominar.

Na verdade, há uma dica de que Paulo acharia estranho exigir nossos “direitos sexuais” sobre o corpo de outra pessoa por poder contradizer nosso testemunho do amor de Cristo. Em 1Coríntios 9.1-18, Paulo aponta que, embora ele tenha o direito de receber dinheiro dos coríntios, ele se recusa a exigi-los para que ele possa ter a liberdade de pregar o evangelho. Em 1Coríntios 6.1-8, Paulo argumenta que é melhor para os crentes serem “defraudados” ao invés de fazer valerem seus direitos contra outros cristãos a nível judicial.

A afirmação de direitos sexuais dentro do casamento, portanto, representa o fracasso do amor e mina o verdadeiro significado da sexualidade. O foco de Paulo sempre está em cultivar corações que respondem livremente em gratidão, ao invés de legislar o comportamento cristão.

Sexo e santa atenção

Porque o sexo é uma autoentrega recíproca em liberdade e amor, ele exige a espécie de santa atenção que tanto falta a nosso mundo. Quando Paulo lembra aos efésios: “Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida” (Ef 5.29), ele aponta para o delicado cuidado e preocupação pela vida corpórea do outro que deve marcar um casamento. As palavras de nutrir e cuidar significam literalmente “alimentar e vestir a esposa”, mas também carregam a conotação de “amadurecer alguém” — um longo processo que pode exigir muito tempo. Ser atento aos ritmos e movimentos do corpo de outro pessoa — tanto dentro do casamento mais amplamente, quanto na própria união sexual — nos ajuda a buscar o bem do outro mais profundamente. Mas a nossa atenção não é simplesmente para ajudar o outro a ganhar prazer sexual. Pelo contrário, é fundamentalmente uma afirmação abundante da beleza e bondade do outro. Pois, no casamento, devemos nutrir e cuidar um do outro — “como Cristo amou a igreja” (Ef 5.25-27), que a santifica “para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito”.

Cultivar uma santa atenção pelo outro no casamento é uma parte importante de aprender a amar a ela como Cristo lhe ama, ter prazer nela e proclamar que ela é uma “coroa de glória na mão do Senhor” e na nossa (Is 62.3). Se a nossa atenção ao outro é santa, então ela verá a humanidade do outro como orientada ao próprio Deus. Ela presta atenção à totalidade do outro, respeitando a liberdade da vida interior do outro e o libertando para se oferecer como um presente num amor mútuo. Em outras palavras, está ordenado para experimentar a “comunhão de pessoas” que é uma parte intrínseca do nosso florescimento humano.[xviii]

Solteirice e sexualidade cristã

Jesus não poderia ser contratado como pastor evangélico, nem Paulo.

A maioria das igrejas tem ressalvas com pastores solteiros (especialmente os mais jovens). Há a crença de que homens solteiros são incapazes de se controlar sexualmente ou de aconselhar casais sobre a dinâmica da sexualidade humana. Essa falta básica de hospitalidade a solteiros na liderança eclesiástica sugere, suspeito, um compromisso tácito com padrões de sexualidade que vem mais do mundo ao nosso redor que da Escritura.[xix]

O celibato tem um papel crucial na sexualidade cristã. Quando os saduceus fizeram um enigma com Jesus sobre qual marido uma esposa bem azarada (que perdera sete maridos) teria nos céus, Jesus respondeu que “na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu.”[xx] Então, em Mateus 19, depois de afirmar a bondade da sexualidade criada, Jesus nos diz que há aqueles “que se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus.”[xxi]

A ideia de uma vocação — ou um chamado — ao celibato vitalício pelo reino de Deus não minimiza a importância do casamento. Cada chamado testemunha aspectos diferentes do nosso mundo. Oliver O’Donovan coloca da seguinte forma: “[A igreja do Novo Testamento] concebia o casamento e a solteirice como vocações alternativas, cada uma dignas de uma forma de vida, as duas abrangendo todo o testemunho cristão da natureza da comunidade afeiçoada. Uma declarava que Deus vindicara a ordem da criação e a outra apontava para além desta para sua transformação escatológica.”[xxii] Em outras palavras, o casamento aponta para Gênesis e a solteirice, para Apocalipse.

A “comunhão de pessoas” que o casamento exemplifica é, nesse sentido, uma realidade temporária. Paulo diz aos coríntios nessa mesma passagem onde recomenda a solteirice: “porque a aparência deste mundo passa” (1Coríntios 7.31). A defesa básica do Novo Testamento é que o florescer humano não se encontra em casamentos ou nas famílias naturais que inauguram, mas ao suportar os fardos uns dos outros em amor dentro da igreja.[xxiii] A única alternativa é minimizar a humanidade de Jesus ao tratar o seu celibato como uma aberração ao invés de uma possibilidade para nossas vidas.

A possibilidade de encontrar o florescimento humano pleno sem sexo contraria claramente uma das noções mais disseminadas sobre a sexualidade tanto dentro quanto fora da igreja. Graças a Sigmund Freud e a Abraham Maslow, o sexo se transformou de uma expressão de nossa humanidade para uma necessidade fisiológica ou psicológica que é essencial para nosso florescimento humano.

Provavelmente a infusão mais famosa da linguagem de “necessidades” na sexualidade humana se deu através do popular livro de Willard Harley Ele precisa, ela deseja (que muitos ganharam de presente quando se casaram). Harley sugere que uma das principais formas de evitar um adultério (uma forma bem problemática de dar conselhos conjugais) é que a esposa satisfaça a “necessidade sexual” do marido. Quase todo manual sexual cristão carrega essa tocha, incluindo A Celebration of Sex de Douglas Rosenau e Intended for Pleasure de Ed Wheat. Rosenau resume a maioria de nossas atitudes com o sexo quando escreve: “se sempre nos focamos no outro e sempre ignoramos ou reprimimos nossas necessidades, abrimos mão da realização sexual plena.”[xxiv]

O eticista teológica Daniel Heimbach chama essa mentalidade de “moralidade sexual terapêutica”, em que “as pessoas se realizam ou se atualizam por meio do sexo e que todo mundo precisa fazer sexo para ser completo. Nenhum comportamento sexual é certo ou errado por si só porque o que importa é o senso interior de satisfação de uma pessoa.”[xxv] A humanidade claramente precisa procriar — ao menos até Jesus voltar —, mas isso não significa que a nossa felicidade dependa de satisfazer nossas “necessidades” sexuais.

O ensino de que nossa completude depende de realização sexual está por trás de muitos dos problemas do ensino evangélico sobre sexo. Nós implicitamente transmitimos aos jovens que o sexo é uma necessidade ao marginalizar aqueles que são solteiros ou enclausurando-os em grupos de jovens para que, quem sabe, se casem. Depois esperamos que eles vivam os anos mais sexualmente carregados de suas vidas sem cair em tentação. Não é surpresa que tantos jovens lutem para continuarem sexualmente puros: ou o sexo é essencial para sua realização humana ou não é. E se todo mundo que é casado pensa que é, então os jovens também pensarão — mesmo que lhes digamos o contrário.[xxvi]

Eu percebo que há dificuldades profundas aqui, não sendo a menor delas discernir o chamado da solteirice e estabelecer estruturas e sistemas de apoio dentro da igreja para os assim chamados. Porém, a ausência de uma solteirice visível e vitalícia dentro de nossas comunidades sugere que nossa afirmação do casamento e a bondade do prazer sexual passaram de seus limites. Não podemos afirmar a bondade da ordem criada como cristãos sem também ver como ela foi assumida e renovada em Cristo — com aqueles chamados ao celibato testemunhando a tanto por suas vidas e por seu amor. Uma igreja sem solteiros perdeu uma de suas principais formas de advertir contra uma idolatria sexual que deixou o mundo inteiro maluco

O problema da pornografia

É um fato que todo homem de vinte e poucos anos vê pornografia.

Pesquisadores da Universidade de Montreal tentaram fazer um estudo sobre os efeitos da pornografia ao comparar jovens que assistiram pornô àqueles que nunca o viram. Mas eles anunciaram em dezembro de 2009 que a sua pesquisa falhara antes de começar: eles nunca conseguiram achar alguém que não via pornografia. O pesquisador Simon Louis Lajeunesse disse à faculdade de serviço social: “não existem rapazes que não vejam pornografia.”[xxvii]

Isso é um exagero, mas o fato de pesquisadores de uma grande universidade ocidental não conseguirem fazer o seu estudo certamente não é boa coisa. Embora as coisas possam ser um pouco melhores em círculos evangélicos, o problema ainda é extremo dentre os jovens — e cada vez mais para as jovens também.[xxviii]

No cerne do problema da pornografia está a mercantilização da sexualidade, que torna outras pessoas — e as imagens delas — em objetos para seu próprio prazer sexual. A cultura da pornografia pegou a nossa sexualidade e a industrializou, empacotou e vendeu. Essa objetificação das mulheres num mundo pornificado as reduz a instrumentos ou ferramentas de autogratificação — o que significa que, mesmo se escolheram entrar voluntariamente no mundo da pornografia (e muitas não escolhem), ainda seria fundamentalmente errado tratá-las como criaturas subpessoais.

Contudo, a objetificação de mulheres — ou homens — na pornografia depende de uma objetificação anterior de nossos corpos. Quando transformamos as pessoas em objetos sexuais de modo a podermos ter um senso artificial de conexão com elas, nós tratamos os nossos corpos como máquinas feitas para maximizar nossa experiência de prazer. É profundamente impessoalizante para todos os envolvidos — os que veem e os que são vistos. Wendell Berry escreve: “a nossa ‘revolução sexual’ é em grande parte um fenômeno industrial, em que o corpo é usado como uma ideia de prazer ou uma máquina de prazer com o objetivo de ‘libertar’ o prazer natural da consequência natural.”[xxix]

Esse é o problema fundamental da luxúria, uma das formas do que os antigos chamavam de concupiscência. Os desejos desordenados minam nossa integridade pessoal — isto é, o nosso funcionamento como filhos feitos para amar a Deus e aqueles ao nosso redor. Quando Jesus disse que todos que olhavam para o sexo oposto com intenção impura já tinham cometido adultério em seus corações, ele não estava sugerindo que as consequências (nesta vida) seriam as mesmas de se realmente cometêssemos adultério. Pelo contrário, ele estava apontando para a corrupção básica que acontece quando nos entregamos a desejos que não se conformam à realidade do amor de Deus e de sua boa criação.

Quando Jesus nos disse para amarmos ao próximo como a nós mesmos, ele não só nos deu um mandamento, mas também descreveu uma característica básica da existência humana. De uma forma ou de outra, nós tratamos os outros, em última instância, como tratamos a nós mesmos, e é por isso que a luxúria e a promiscuidade sexual se misturam tanto com a autodepreciação. Quanto mais nos vemos à luz do evangelho — “morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” —, mais estaremos livres de tratar nossos corpos como objetos, ao invés de vê-los como o local da nossa presença pessoal e da habitação da presença do próprio Deus. O Senhor veio a seu templo!

A realidade de que a luxúria destrói tanto o que observa quanto o observado precisa estar em primeiro plano no ensino evangélico sobre sexualidade. Um dos argumentos recentes de maior sucesso contra a pornografia é a sua conexão com o tráfico sexual — uma prática terrivelmente desumanizante que depende da pornografia para a sua existência. A pornografia fomenta um clima que encoraja o tráfico sexual e a prostituição infantil porque homens (normalmente) estão moldando seus corações e suas mentes para tratar corpos humanos como objetos. Porém, a conexão com o tráfico sexual não será sempre um bom argumento. Os evangélicos precisam estar preparados para o dia em que a pornografia será completamente gerada por computadores. Esse cenário não é uma possibilidade vazia. O que será criado é um tipo de pornografia que não exige mulheres de verdade, esvaziando um dos principais argumentos contra essa prática, que destrói as vidas e as famílias daqueles que a adotam, bem como daqueles que a criam.[xxx]

Talvez seja importante adicionar um ponto sobre a masturbação. Embora eu seja cético de que a masturbação enquanto prática regular possa ser separada de ver pornografia ou criar fantasias mentais baseadas em mulheres ou homens reais (o que equivale à luxúria), a prática trata o corpo como um instrumento para o prazer e gratificação pessoais. A sexualidade humana é inerentemente social e a masturbação não é. Nesse sentido, ela representa uma falha de cumprir a natureza da sexualidade cristã como Deus a planejou.

Conclusão

“Com meu corpo, te adoro.”

É o que escrevi para minha esposa na dedicatória deste livro e é uma espécie de piada interna. Nos casamos segundo uma antiga liturgia do Livro de Oração Comum e essa citação era parte dos meus votos. A minha esposa, preocupada com o mal-entendido, queria tirá-la. Eu amei a citação e pensei que poderíamos adicionar uma nota de rodapé no boletim do casamento. Ela ganhou.

Esse “adorar” não quer dizer que transformei a minha esposa num ídolo. Embora ela seja praticamente uma santa em todos os sentidos, nem ela é digna daquilo que só a Deus é devido. Porém, eu ainda posso dar a ela toda a reverência, honra e adoração devida a ela por causa de sua beleza e amabilidade. E eu faço isso com o meu corpo, entregando-me a ela e buscando o máximo possível, pela graça de Deus, colocar os interesses dela acima dos meus.

Todavia, a nossa confusão com Deus e a criação está no cerne de nossas disfunções e pecados sexuais. C.S. Lewis escreveu na sua famosa passagem: “Somos criaturas medíocres, brincando com bebida, sexo e ambição, quando a alegria infinita nos é oferecida, como uma criança ignorante que prefere fazer castelos na lama em meio à insalubridade por não imaginar o que significa o convite de passar um feriado na praia. Nos contentamos com muito pouco”[xxxi]

Nós temos vidas sexuais caídas. Objetificamos os nossos corpos e os dos outros. Transformamos o sexo numa técnica em que procuramos maximizar o nosso prazer a custo da outra pessoa, ao invés de ver nosso corpo como templo do Espírito Santo, o lugar onde o próprio Deus habita.

Contudo, o Deus que morreu por nós, que revelou o padrão para a nossa verdadeira humanidade em Jesus Cristo, perdoou os nossos pecados e lavou as nossas iniquidades. E o Espírito Santo, sua presença fortalecedora, viva nas articulações e nos ossos de nossos corpos mortais, remodelando-os e reformando os nossos membros para serem instrumentos de justiça.

É por meio disso — as boas novas do evangelho — que nos vemos livres da vergonha de rejeição e dor e somos empoderados para responder em amor àquele que se entregou por nós — e assim nos entregar aos outros. O evangelho nos liberta da frustração da impotência e dos medos causados pelo abuso, permitindo-nos entrar numa jornada de descoberta cheia de alegria e liberdade. Ele nos dá a esperança de uma vida realizada, alegre e abundante, mesmo se nunca provemos os bens do casamento.

“Ainda não sabemos o que seremos!” Essa é a alegria que nos aguarda no reino dos céus, prazer e delícias perpetuamente. Quando ressuscitarmos no último dia, não iremos escapar nossos corpos físicos, mas seremos marcados por tal beleza e esplendor gloriosos que dificilmente reconheceremos uns aos outros e os momentos transitórios de êxtase se tornarão fatores permanentes de nossas vidas. Os nossos corpos não conseguem aguentar essas alegrias agora — com todo seu esplendor, ainda são fracos demais para os prazeres que nos esperam, quando seremos transformados “de glória em glória.”

Como Lewis disse certa vez: “É coisa séria viver numa sociedade de possíveis deuses e deusas, e lembrar que a pessoa mais chata e desinteressante com quem você pode conversar poderá um dia ser uma criatura que, se você a visse agora, seria fortemente tentado a adorar; ou, então, um horror e uma corrupção tal qual você encontra agora, se for o caso, apenas num pesadelo. O dia todo, em certo sentido, ajudamos uns aos outros a chegar a um desses dois destinos. É à luz dessas possibilidades irrefutáveis, é com a reverência e circunspecção que as caracterizam que deveríamos conduzir nossas interações uns com os outros, todas as amizades, todos os amores, toda a diversão, toda a política.[xxxii]


[i] Ver Mark Oppenheimer, “In the Biblical Sense” Slate, acesso em 9 de março de 2011, em: www.slate.com/id/56724/. Ver também a discussão sobre a sexualiação do evangelicalismo em Janice Irvine. Talk About Sex. Berkeley, CA: University of California Press, 2002, p. 81ss.

[ii] Ver Richard Kyle. Evangelicalism: An Americanized Christianity. New Brunswick: Transaction, 2006, p. 194.

[iii] Ver Lionel Lewis e Daniel Brissett, “Sex As God’s Work” Society, p. 23–33, 1986.

[iv] Ver Brian Alexander, “One Preacher’s Message: Have Hotter Sex” MSNBC, acesso em 9 de março de 2011, em: www.msnbc.msn.com/id/13834042/ns/healthsexual_ health/, e “Pastor Issues 30-Day Sex Challenge,” em: www.cbsnews.com/stories/2008/02/20/earlyshow/and “Pastor’s Sex Challenge to Congregation,” at: www.cbsnews.com/stories/2008/11/13/earlyshow/ 

[v] Ver a discussão do sociólogo Bradley Wright em “Christianity and the Frequency of Orgasms,” acesso em 9 de março de 2011, at: http://brewright.blogspot.com/2007/06/dochristians- have-orgasms-more-often.html, ou The Social Organization of Sexuality: Sexual Practices in the United States. Chicago: University of Chicago, 1994, 115ss.

[vi] Ver Diane Richard, “Christian Women Have More Fun,” Contemporary Sexuality, junho de 2000, Vol. 34, N. 6.

[vii] “De fato, é verdade que o Novo Testamento remonta ao Antigo, revelando e desvelando o segredo pressuposto, mas em nenhum lugar revelado ou desvelado no Antigo, e assim provando o que o Antigo em si e por si nunca poderia provar — que em todas as suas partes ele está certo e fala a verdade de modo normativo a nós.” Karl Barth, Church Dogmatics 3.2. Edinburgh: T&T Clark, 1960, p. 299.

[viii] Robert Jenson, Song of Songs. Louisville, KY: Westminster Press, 2005, p. 14.

[ix] Ef 5.31

[x] O meu favorito é Isaías 62.2-5, que foi lido em nosso casamento.

[xi] Ver também Wenham, Genesis 1:15, p. 70.

[xii] Ver João Paulo II, Theology of the Body. Boston: Pauline Books and Media, 1997. Audiência geral de 2 de janeiro de 1980.

[xiii] Ver ibid., 9 de janeiro de 1980.

[xiv] Douglas Rosenau, A Celebration of Sex. Nashville: Thomas Nelson, 2002, p. 6.

[xv] Daniel Heimbach, True Sexual Morality. Wheaton: Crossway Books, 2004, p. 140.

[xvi] Há muito mais a se dizer aqui, mas o espaço me impede de explorer completamente esse aspect da nossa sexualidade.

[xvii] A abordagem definitive de 1 Coríntios 6, a meu ver, está no completo e cuidadoso livro de Alistair May Te Body for the Lord: Sex and Identity in 1 Corinthians 5—7. London: T&T Clark, 2004. Altamente recomendado.

[xviii] Ver papa João Paulo II, Theology of the Body, 14 de novembro de 1979. Embora o papa identifica essa comunhão de pessoas como “imagem de Deus”, eu (ainda) não estou convencido disso. O homem pode ter uma dimensão relacional com outro ser humano que é necessário para o florescimento humano sem essa dimensão constituir a imago dei.

[xix] Com base nisso e que 1Timóteo 3.2 et al. Deveria ser traduzido “homem de uma só mulher”, o que eu penso que um homem solteiro pode ser.

[xx] Mateus 22.30. A maioria da tradição cristã tem resistido a noção de que seremos andróginos no céu, incluindo seus expositores mais platônicos, como Agostinho.

[xxi] Mateus 19.12. Esse é outro ponto de vista em que Jesus e Paulo falam com uma só voz. Ver 1 Coríntios 7.

[xxii] O’Donovan, Resurrection and Moral Order, p. 70.

[xxiii] Ver como evidência adicional as afirmações relativizando a família natural em Mateus (10.34-39 e em outros lugares).

[xxiv] Rosenau, A Celebration of Sex, p. 5.

[xxv] Heimbach, True Sexual Morality, p. 284. A discussão de Heimbach sobre questões sexuais é bem útil.

[xxvi] O papel da solteirice na ética sexual tem sido reconhecido a nível acadêmico dentro do evangelicalismo já faz um tempo. Stanley Grenz, Sexual Ethics: An Evangelical Perspective tem um bom capítulo sobre, bem como o volume mais recente de Andreas Kostenberger, God, Marriage, and Family. Todavia, essa doutrina ainda não (em sua maior parte) desceu a nível de pregação e ensinos populares sobre sexualidade. A contribuição de Barry Danylak,  Redeeming Singleness é uma notável exceção.

[xxvii] Charlie Fidelman. “Study Spoiled by Scarcity of ‘Porn Virgins,’” Montreal Gazette, acesso em 9 de março de 2011, at: www.vancouversun.com/life/Study+spoiled+

[xxviii] Bradley R. E. Wright aponta que apenas 10 por cento dos evangélicos comparecendo na igreja a cada semana viram um filme adulto no último ano. Porém, ele não diz nada sobre sites da internet. Veja o seu livro Christians Are Hate-Filled Hypocrites . . .and Other Lies You’ve Been Told. Minneapolis: Bethany House, 2010, p. 140.

[xxix] Wendell Berry, “Feminism, the Body, and the Machine” What Are People For? New York: Northpoint Press, 1990, p. 191.

[xxx] O meu objetivo é fazer com que o argumento evangélico contra a pornografia não dependa de circunstâncias presentes, mas vá ao cerne da questão.

[xxxi] C. S. Lewis, Peso de glória. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017. 

[xxxi] Ibid.


Por: Matthew Lee Anderson. © Matthew Lee Anderson. (Excerto de Earthen Vessels: Why Our Bodies Matter to Our Faith. Bethany House Publishers, 2011) Website: https://mereorthodoxy.com/toward-evangelical-sexual-ethic/ Traduzido com permissão. Fonte: The Body and its Pleasure: Toward an Evangelical Sexual Ethic.

Original: Não nos cansaremos, nem repousaremos. © The Pilgrim. Website: thepilgrim.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Guilherme Cordeiro Pires. Revisão: Arthur Guanaes.

Imagem: Unsplash

O ponto de vista deste texto é de responsabilidade de seu(s) autor(es) e colaboradores direito, não refletindo necessariamente a posição da Pilgrim ou de sua equipe de profissionais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *