Liderando depois da nevasca: por que agora toda organização será uma startup

(Andy Crouck, Kurt Keilhacker e Dave Blanchard(Andy Crouck, Kurt Keilhacker e Dave BlancharL

Resumo

  1. O novo coronavírus não envolve os líderes simplesmente “aguentarem” por alguns dias ou semanas. Pelo contrário, precisamos tratar o COVID-19 como uma nevasca, um inverno e uma “pequena era do gelo” econômica e cultural — uma mudança definitiva e drástica que provavelmente afetará nossas vidas e empresas por anos.
  2. Devido à natureza complexa e interconectada da nossa sociedade e economia, a maioria das empresas e organizações sem fins lucrativos estarão “falidas de facto” a partir de hoje, na medida em que os pressupostos que sustentavam suas instituições não são mais verdadeiros.
  3. A prioridade dos líderes deve ser aumentar a confiança no seu playbook o mais rápido possível, desenvolver outro que honre a sua missão e as comunidades que servem, e tornar a maior parte dos ativos da empresa — pessoal, capital financeiro e social — dependentes de relacionamentos e confiança.
  4. O potencial criativo para esperança e visão não tem paralelos hoje — mas, paradoxalmente, essa criatividade só estará plenamente disponível se também dermos espaço ao luto e lamento.
  5. Nós escrevemos este texto por amor a líderes cristãos e seu trabalho, com humildade num tempo de considerável incerteza e uma esperança em oração de que Deus frustrará essas previsões, na sua graciosa providência, agindo miraculosamente por meio da criatividade humana neste tempo

Não vamos voltar ao normal. Se você é líder de uma empresa, é hora de reescrever a sua visão — aquela apresentação que tantas empresas têm que resume o que vocês são, a quem vocês servem, por que vocês o servem e o que vocês fazem e como vocês o fazem. Neste ensaio, vamos explicar por que pensamos que chegou a hora da maioria das organizações — empresas, organizações sem fins lucrativos e até igrejas — remodelar o nosso trabalho à luz do que cremos ser não uma “nevasca” que durará semanas, não um “inverno” que durará meses, mas algo mais próximo ao começo de uma “era do gelo” de 12 a 18 meses em que boa parte de nossos pressupostos e abordagens precisarão mudar para sempre. Quase todos nós podemos e devemos manter os três primeiros slides da nossa apresentação, mas todo o resto deve ser reavaliado.

Escrevemos especialmente para líderes de empresas e organizações sem fins lucrativos que são cristãos, porque os cristãos são os mais preparados para encarar a realidade atual com realismo de olhos abertos e esperança sem paralelos. Neste ensaio, nós esboçamos os maiores desafios que enfrentaremos e alguns passos que podemos tomar, reconhecendo que todos nós estamos sujeitos a profundas incertezas não só sobre o futuro, mas também sobre o presente. Nós escrevemos confiantes de que Jesus é Senhor, que mesmo neste momento ele está agindo poderosamente nas nossas vidas e que Deus é bom.

Este momento apresenta a maior crise de liderança que já enfrentamos. Será um momento de incrível criatividade, embora também seja um momento de inevitável dor e perda. Vamos descobrir que, embora muitos recursos estejam subitamente disponíveis para nós, o recurso mais essencial ainda está disponível e a realidade mais importante não mudou. A realidade é que Deus nos chamou num momento como este, nos deu uma missão e uma comunidade a quem servir, e ainda temos o recurso mais importante, que é a confiança no contexto do amor. Tudo depende de quão rápida e completamente iremos agir para usar esse recurso, a partir de hoje.

A nevasca

Michael Osterholm, um especialista em doenças infecciosas da Universidade de Minnesota, tem falado sobre a visão de “nevasca” para a crise atual. Essa é, na nossa opinião, a forma que a maioria dos americanos estão respondendo atualmente ao COVID-19 e às medidas restritivas aplicadas por autoridades de saúde pública. Tratar a crise como uma nevasca é reconhecer que as coisas estão bem difíceis, fornecer apoio emocional e prático para as necessidades imediatas e exortar as pessoas a tomarem medidas extraordinárias que não só seriam impensáveis em outros tempos, mas também são insustentáveis por um longo período de tempo. Se a crise gerada pelo COVID-19 é uma nevasca, ela logo acabará, todos vamos sair dos nossos abrigos e voltar à vida como era antes. O nosso papel na nevasca é esperá-la passar.

De fato, porque a natureza desta crise se evidencia completamente apenas em hospitais de algumas cidades americanas e mais remotamente em lugares como Itália e Wuhan na China — lugares onde trabalhadores da linha de frente estão totalmente sobrecarregados com seu trabalho e de fadiga, demais para comunicar com o mundo externo — há muitas pessoas (embora menos a cada dia) que precisam se convencer de que a nevasca chegou. Muitos já lideraram bem nesse período, e ainda precisam continuar liderando, para convencer os americanos que uma crise aguda e urgente requer ação imediata.

O problema é só que quase ninguém trabalhando com saúde pública — certamente não Osterholm — crê que uma nevasca é a melhor analogia para entender esta crise. Na verdade, como Osterholm disse em diversas entrevistas, devemos estar pensando mais como “o começo de um inverno”

O inverno

O inverno pode começar com uma nevasca, mas é uma estação que dura meses, não apenas num evento único. Em climas mais frios, o inverno significa que eventos mais agudos periodicamente (nevascas) se intercalam com um período contínuo em que a atividade humana precisa se adaptar a condições amargamente inóspitas.

Isso é quase certamente a realidade do COVID-19 nos Estados Unidos e em vários outros países. Isso não será um evento durando algumas poucas semanas. O presidente dos Estados Unidos, aconselhado por especialistas bem respeitados em saúde pública como o Dr. Anthoy Fauci e a Dra. Deborah L. Birx, afirmou em 16 de março que os americanos deveriam esperar que as medidas para combater a disseminação do vírus durasse até “julho ou agosto”.

Embora autoridades americanas federais e locais estejam ordenando e orientando medidas com um prazo de duas ou três semanas (com instruções de permanecer em casa em muitos locais) até oito semanas (orientações para cancelar eventos públicos), ninguém deveria imaginar que a estação do COVID-19 terá terminado neste tempo, certamente não numa escala nacional. O governador do estado de Nova York, Andew Cuomo, afirmou que os casos na cidade de Nova York não atingirão o seu pico em 45 dias (por volta de 1º de maio). Mas a cidade de Nova York, bem como Seattle e a região metropolitana de San Francisco, está consideravelmente mais desenvolvida em relação a outras regiões do país, que provavelmente verão o mesmo crescimento exponencial de casos nas semanas vindouras. Como o presidente e seus conselheiros afirmaram, os americanos devem esperar que medidas drásticas serão necessárias pelos próximos quatro ou cinco meses, e não semanas.

Assim como no inverno, haverá variantes regionais. Por exemplo, as formas mais extremas de distanciamento social, como a ordem em San Diego em 17 de março que parecia proibir aglomerações de qualquer tamanho fora de unidades familiares ou de lares, e as ordens recentes em California e Nova York, nunca foram tentadas por meses. Isso é uma resposta a nevascas. Essas medidas certamente terão um efeito no número de novos casos, incluindo casos críticos, e irão “achatar a curva” até certo ponto e aliviarão a pressão dos sistemas de saúde locais. À medida que a curva achatar, a pressão em autoridades de suspender as restrições mais drásticas será intensa — apropriadamente, porque tal isolamento é extremamente difícil para seres humanos aguentarem e carrega seus próprios riscos relacionados a doenças e mortalidade.

Então é provável que em poucas semanas algumas regiões, especialmente aquelas que experimentaram “nevascas” em seu sistema de saúde mais cedo, suspendam as restrições até certo ponto. Mas outras regiões terão de implementá-las pela primeira vez. E a verdade difícil de engolir é que qualquer relaxamento das restrições provavelmente levará a um aumento dos casos. Por várias semanas, a China relatou casos decrescentes de COVID-19 a nível nacional, refletindo o sucesso do país em reduzir o valor epidemiológico chamado de R (o número de pessoas infectadas por um único vetor) a menos de 1. Nos últimos dias, à medida que boa parte da China voltou a trabalhar, o valor nacional de R na China novamente voltou a ultrapassar a marca de 1.

Lutar uma pandemia com as características do COVID-19 não é rápido.

Há uma grande controvérsia sobre o sucesso de países como Coreia do Sul, Cingapura e, acima de tudo, Taiwan de conter o COVID-19, sem aplicar até agora as medidas extremas que estão sendo impostas em muitos lugares dos Estados Unidos. Esses países podem nos dar certa esperança de que, para estender a metáfora, o inverno para alguns poderá ser relativamente ameno. Mas a vida nesses países está longe de normal até hoje, eles são bem diferentes culturalmente dos Estados Unidos e eles tomaram passos mais cedo na crise que agora podem não estar mais disponíveis para nós.

No final das contas, o que resta é que, mesmo agora que lidamos com a nevasca atual e convencemos outras pessoas que a nevasca chegou, todos nós deveríamos nos preparar para um inverno em que aspectos incontáveis da nossa sociedade seriam reconfigurados. Mesmo nas semanas mais leves, a vida será radicalmente diferente do que foi nas semanas passadas; e, como o inverno no norte dos EUA, uma tempestade de neve pode surgir a qualquer momento e parar a vida de todo mundo.

Lidar com isso, por si só, já seria um grande desafio para os líderes. Mas o nosso conselho e planejamento para as organizações que lideramos e aconselhamos é preparar para uma terceira realidade também.

A pequena era do gelo

“O ano de 1816 é conhecido como o ano sem verão”, começa a página da Wikipédia em inglês sobre o tema. A erupção do monte Tambora no que hoje é a Indonésia levou a uma nuvem de cinzas que reduziu a radiação solar, causando várias colheitas fracassadas e uma baixa enorme nas temperaturas, com geadas no verão registradas por toda Europa e América do Norte. 1816 chegou ao fim do que é conhecido por muitos climatologistas como “A pequena era do gelo”, uma baixa de temperaturas que durou vários séculos no hemisfério Norte e moldou profundamente a história europeia.

A metáfora é óbvia. Assim como o inverno é mais crônico e duradouro que uma nevasca, e requer formas diferentes de adaptação, sendo medidas mais abrangentes do que simplesmente se retirar por alguns dias ou semanas — da mesma forma, há eventos de ainda maior escala que mudarão o clima ao longo de incontáveis estações posteriormente.

A pequena era do gelo durou pelo menos trezentos anos. Ninguém espera que os efeitos do COVID-19 serão dessa magnitude — nós temos a dádiva inestimável da medicina moderna, bem como sistemas de comunicação e coordenação, que quase certamente permitirão o nosso mundo mitigar os efeitos diretos do vírus dentro de poucos anos. A Gripe Espanhola durou de 1918 a 1920 numa era em que não havia testes ou vacinas efetivas. Isso parece ser o pior limite possível para o COVID-19 também. Um período geralmente aceitável para o desenvolvimento de uma vacina efetiva — embora haja incertezas enormes aqui — é 18 meses.

Mas 18 meses não é uma estação — para os nossos propósitos, parece mais uma era. Um exemplo simples é a teoria de Maryanne Wolf, neurocientista da TUFTS, de que há uma janela de aproximadamente três anos, de 7 a 9 anos de idade, quando as crianças fazem a transição entre leitura “iniciante” e “fluente”. As crianças que perdem essa janela, por várias razões, parecem nunca adquirir habilidades de leitura genuinamente fluente, mesmo com várias instruções adicionais posteriormente na vida. Na verdade, tragicamente, muitas crianças nos Estados Unidos deixam de adquirir fluência durante essa janela de tempo. Interrompa a educação de toda uma nação de crianças com 7 anos de idade e as consequências culturais contínuas, e o decréscimo no desenvolvimento humano, serão irremediavelmente trágicas.

E isso é apenas um exemplo para o nosso país. Esforços incontáveis para desenvolvimento e suporte global funcionam com a menor das margens nos lugares mais cruéis do mundo e dependem de um fluxo de recursos de países ricos. Mesmo a menor interrupção nesses fluxos é uma questão de vida ou morte. Na pequena era do gelo, dada a ausência de esforços extraordinários para mobilizar generosidade e sacrifício, a interrupção não seria pequena.

Quais são as razões para pensar que estamos entrando nesse período extenso, nesse “ano sem verão”? Em 16 de março, uma das melhores equipes científicas do mundo, trabalhando no Imperial College de Londres, publicou um artigo muito bem embasado modelando os efeitos prováveis de “intervenções não farmacêuticas” quanto a achatar a curva do COVID-19 no Reino Unido e nos Estados Unidos. Embora várias partes do artigo sejam técnicas, todo e qualquer líder de qualquer organização de qualquer tamanho deveria tirar tempo para ler o artigo e se familiarizar com seus principais argumentos.

A tese desse artigo é simples, em poucas palavras: quaisquer medidas que terão sucesso em “achatar a curva” nas próximas semanas ou meses também estenderão a curva. À medida que formos capazes de salvar nosso sistema de saúde da falência total imediatamente, isso acontecerá a custo de criar as condições culturais e econômicas de “inverno”, provavelmente até o final de 2021 — até que a população gradativa e naturalmente adquira imunidade (com o custo de várias enfermidades e mortes) ou o desenvolvimento de uma vacina. Ademais, embora possa ser possível suspender as medidas mais extremas, pelo menos por curtos períodos de tempo, qualquer impacto significativo para reduzir os danos da doença exigirão mudanças vastas e contínuas no comportamento social.

Em termos epidemiológicos, o que estamos encarando provavelmente se comportará hoje como uma nevasca, nos próximos meses como um inverno e nos próximos anos como uma pequena era do gelo — e isso se a supressão ou contenção do vírus der certo e evitar um fracasso catastrófico do sistema de saúde e milhões de mortos nos próximos meses (tanto por causa do COVID-19, quanto por outras causas decorrentes da disfunção do sistema de saúde).

E ficou bem claro nesta semana que não estamos lidando apenas com epidemiologia, mas com economia e política também. A Gripe Espanhola afetou um mundo que ainda não era tão moderno, com rotas comerciais lentas e simples entre as nações. Este vírus agora está fechando a maior parte do continente europeu, pode reduzir a antiga nação do Irã a seus joelhos e terá efeitos imprevisíveis a longo prazo na China. E essas são apenas algumas das regiões mais agudamente afetadas hoje. O destino de todo o mundo está interligado por conta da rede de comunicações e de comércio, e eventualmente todo o mundo vai sofrer junto.

A economia mundial provavelmente vai experimentar uma série de eventos de queda comparáveis no mínimo à Grande Recessão de 2008-2009 e possivelmente até mesmo à Grande Depressão na década de 30. O principal economista da J.P. Morgan previu que o PIB dos EUA cairia 14% só no segundo trimestre de 2020. “Uma queda dessa magnitude seria mais aguda que a que aconteceu no quarto trimestre de 2008 — o pior período da Grande Recessão — quando a economia encolheu 8,4%” (Reuters). Nesta semana, centenas de milhares de desempregados surgiram nos Estados Unidos demitidos de indústrias fechadas não só por causa de uma nevasca, mas por todo um inverno e que podem ser prejudicadas por toda a pequena era do gelo que recai sobre nós.

A economia global presumivelmente se recuperará algum dia. Ela pode se recuperar num formato de V ou de U, como é comum depois de epidemias. Ela se recuperou de forma tão espetacular depois da Primeira Guerra e da Gripe Espanhola, que, em certos aspectos, foram piores do que qualquer coisa que veremos acontecendo nos próximos anos (Embora há algumas semanas nós nem teríamos previsto escrever um ensaio desses também). Mas, quando se recuperar, o mundo todo será diferente, e o nosso mundo também.

Nós observamos que quase ninguém está planejando para um cenário de “era do gelo”. É claro, ninguém pode dizer com certeza o que vai acontecer — o estudo do Imperial College de Londres alega explicitamente não considerar avanços potenciais em áreas como testes, diagnósticos, “rastreio de contato” e gerenciamento de doenças, que poderiam ter efeitos positivos dramáticos. Isso realmente poderia acontecer, até nas próximas semanas, onde haveria uma “cura milagrosa” dramática (ou um tratamento, mais especificamente) que mudaria todo o padrão substancialmente.

Apesar dessas esperanças (ou sonhos), nós cremos que todo líder e organização — cada organização sem fins lucrativos, cada igreja, cada escola, cada empresa — deveria se planejar para cenários que envolveriam um abalo que dure anos.

Quase todos nós estamos numa nova empresa

De hoje em diante, a maioria dos líderes precisa reconhecer que a empresa em que eles estavam não existe mais. Isso não se aplica apenas a empresas, mas também a organizações sem fins lucrativos e, em certos aspectos importantes, a igrejas.

É claro que há exceções. Numa opinião bem imprecisa, talvez 10% das empresas possuam modelos de negócios (com ou sem fins lucrativos) que não serão afetados pela crise em sua maior parte, para o bem ou para o mal. Empresas tendo contratos de longo prazo com o governo como sua principal fonte de renda, por exemplo, poderão continuar com seus negócios. Talvez outros 10% estarão numa posição providencial de fazer contribuições imensas para aliviar o sofrimento e gerar mais valor nessa nova realidade, simplesmente ao escalar suas atividades atuais. Em larga escala, vemos empresas como Zoom e Amazon muito bem posicionadas para providenciar serviços essenciais na realidade vindoura, embora pequenas empresas e organizações se vejam nessa posição também.

Os 80% restantes se encontrarão com um playbook estratégico e operacional — primariamente em relação a oferta de produtos, modelo de negócio e estrutura do pessoal — que simplesmente não vai se adaptar bem nas condições prováveis de nevasca, inverno e pequena era do gelo.

Para ser transparente aqui, a nossa organização, a Praxis, está dentre esses 80%. Nós somos muito abençoados de ter reservas financeiras e doadores comprometidos para não falir. Mas construímos esta organização de 9 anos de idade com base em eventos coletivos com líderes empresariais do mundo todo para fazer mentoreamento, conferências para atender comunidades e um curso para estudantes durante o verão, tudo isso gerando uma comunidade extraordinariamente rica construída com base em encontros profundos uns com os outros e com Deus a serviço do empreendedorismo redentivo. No momento, até o nosso time mais central não pode se reunir na nossa sede em Nova York. Não sabemos quando poderemos viajar de novo, mas tudo está incrivelmente incerto nos próximos meses, na melhor das hipóteses (como viagem nas partes do inverno que têm mais tempestades de neve).

Se a sua organização sem fins lucrativos depende de reunir pessoas em grupos médios ou grandes — e é verdadeiramente aterrador considerar quantas dependem, quer para banquetes de arrecadação, programas extracurriculares ou culto público no caso de igrejas — você não está no mesmo ramo de negócios hoje. E isto não é simplesmente uma nevasca que você pode esperar passar. Nós não podemos predizer quando tais aglomerações voltarão a ser rotina, mas não será em questão de semanas.

De fato, nós na Praxis estamos nos planejando para um cenário em potencial que assume que, daqui 12 a 18 meses, o maior grupo que poderemos juntar presencialmente para formação e trabalho criativo será de cerca de 10 pessoas, quase sempre a nível local. Mesmo se isso for drástico demais, nós não sabemos como será o formato da economia global e os recursos que estarão disponíveis para as pessoas quando viagens e aglomerações maiores se tornarem possíveis, em teoria. Talvez um dia a sua organização, ou alguma versão dela, voltará a abrir para negócios. Talvez a nossa também. Por ora, se queremos cumprir a nossa missão, nós temos um planejamento mínimo para um contexto consideravelmente diferente.

Uma típica apresentação de um pitch de investimentos para uma empresa ou uma organização sem fins lucrativos começa com uma necessidade evidente de uma audiência ou conjunto de investidores e uma visão fundamental de como essa necessidade pode ser tratada de forma a aumentar o desenvolvimento humano. Esses são os três ou quatro primeiros slides da sua apresentação. Você não precisa descartar esses slides — eles representam, cremos e oramos, um chamado dado a você por Deus. Se você serve jovens em situação de risco, esses jovens ainda estão lá, encarando mais riscos do que nunca e você tem uma ideia genial para lidar com suas necessidades e capacidades fundamentais. Mas o resto da sua apresentação — a parte que descreve as estratégias, táticas, modelos financeiros e parceiros que você pode mobilizar — é funcionalmente diferente. Quer você administre uma empresa de software para escolas públicas, uma organização sem fins lucrativos fundamentada em doadores diários pensando em necessidades globais, uma empresa com produtos dependentes não só de consumidores, mas da indústria, ou uma imobiliária que dependa de contratos de longo prazo, você construiu uma série de pressupostos que não poderão sobreviver a uma “era do gelo” de 12 a 18 meses. Você construiu uma apresentação fundamentalmente nova que reflete as novas realidades da comunidade que você serve, e as ferramentas que estarão disponíveis para você hoje.

O nosso maior recurso é a confiança

Neste momento, muitos tipos de recursos estão indisponíveis para nós. Mas há um recurso principal que, pela graça de Deus, ainda pode estar disponível, que é a confiança.

Ao longo do seu trabalho antes da nevasca, a sua empresa ou organização construiu relacionamentos com pessoas. Membros da comunidade, vendedores, sócios, investidores, stakeholders de vários tipos — acima de tudo, talvez, a sua equipe de contribuidores ou voluntários. Você está vinculado a eles, a pelo menos alguns deles, não só por contratos ou transações, mas por respeito, amizade e até amor.

A confiança é o nosso maior recurso na sociedade humana. Sem confiança, nós nos relacionamos como competidores com uma mentalidade de escassez. Com confiança, nós descobrimos métodos criativos que desbloquearão a abundância que nunca encontraríamos sozinhos. Todo trabalho e vida humanos significativos acontece debaixo de um arco de confiança ou, para usar uma palavra mais forte biblicamente, debaixo de um pacto — o abrigo de respeito e amor mútuo que forma uma espécie de toldo que nos protege de um mundo selvagem e perigoso, dando espaço para grandes atos de sacrifício e beleza.

A fim de encontrar o que fazer com esse novo playbook para a missão e as pessoas a nós confiadas, precisamos agir a cada momento com base em métodos que se baseiam, e alimentam, a confiança.

Essa é uma das razões por que adicionar novas pessoas a seu time hoje, especialmente pessoas que você não conhece, seria o mesmo que abuso de liderança. Se o seu playbook atual não funciona e terá de ser substituído com um novo conjunto de estratégias e táticas, como você poderia saber qual é o conjunto de habilidades apropriado para o trabalho que você vai realizar? E como você pode prometer responsavelmente um fluxo de renda para alguém neste momento? Nenhuma organização, a não ser que esteja nos 20% de exceções descritos acima, deveria tentar somar novas pessoas à sua equipe chave agora, dada a ausência de uma confiança bem-estabelecida.

Da mesma forma, qualquer um pode sentir quase instintivamente que agora é um momento inviável para buscar novos doadores ou novos clientes. O capital de investimento não está completamente indisponível, mas os investidores dispostos a investir em plena queda — sem um relacionamento anterior com a empresa — quase certamente terão motivos predatórios e fins exploratórios.

Não, as pessoas que podem te ajudar mapear o caminho para cumprir a sua missão nos anos vindouros são as pessoas em que você tem a maior confiança hoje — aqueles que estão na missão junto com você. Desse modo, todos os esforços da liderança agora se reduzem a manter e mobilizar a confiança.

Essa confiança começa não com uma preocupação por nós mesmos, mas com uma preocupação pelos outros. Talvez seja a primeira vez nas nossas vidas em que cada pessoa com quem iremos interagir nos próximos dias, até investidores ou filantropos, estará experimentando uma vulnerabilidade sem precedentes. Eles estão experimentando um risco e talvez uma perda financeira hoje, mas estamos apenas nos primeiros dias de uma pandemia. Poucas pessoas vão passar por este tempo sem ver alguém que amamos sofrer e bem possivelmente morrer. Muitos estão contemplando a sua mortalidade de novas maneiras. Devemos a todos que encontramos compaixão, paciência e preocupação enormes, antes de lhes envolvermos nas nossas necessidades.

A confiança se constrói com transparência e honestidade sobre a nossa situação, moldada de acordo pelo investimento de cada pessoa naquele negócio. Precisamos comunicar muito mais com todo mundo no ecossistema da nossa organização, frequentemente com um novo grau de abertura sobre os desafios que estamos enfrentando. Ao mesmo tempo, a confiança se constrói (para pegar emprestadas as palavras do grande líder Max De Pree) quando os líderes suportam vulnerabilidade e dor ao invés de descarregá-las em outras pessoas. Nós precisamos ter novas formas de processar nossos medos que não envolvam aumentar a ansiedade das outras pessoas.

A confiança também se constrói por meio de uma das tarefas mais duras de liderar: tomar medidas para reduzir custos e gerenciar o fluxo de caixa, de forma que a empresa possa sobreviver. Isso é devastador para todo mundo que se importa com pessoas, mas, quando a alternativa é a extinção da organização, é essencial. Há formas de cortar gastos com pessoal que são generosas sacrificialmente e honram às pessoas envolvidas, e às vezes há alternativas à total extinção dessas posições, como reduções compartilhadas e gerais em horas de trabalho ou em remuneração, com aqueles que mais recebem sofrendo o maior corte. Por mais difícil que seja, se não fizermos decisões diretas sobre a nossa equipe e outros custos à luz do fluxo de caixa, nós vamos frustrar a confiança que outros depositaram em nós. (Isso não é mera teoria para nós. Na verdade, em 2003, Kurt demitiu Andy num emprego em outra organização com uma decisão executiva que era absolutamente necessária e também profundamente generosa e honrável, e continuamos amigos até hoje.)

Todo este trabalho de se basear e construir em cima da confiança vai gerar criatividade renovada. Podemos começar a fazer questões fundamentais juntos. Quais opções estão abertas para nós mesmo nas profundezas do “inverno”? Que ferramentas e recursos estão à nossa disposição? Quais reservas de talento e habilidades, dinheiro e ativos, sistemas e processos podem ser empregados de novas formas?

Lidando com todas as três realidades

Nós retratamos essas realidades como aninhadas e interconectadas — como líderes, precisamos reagir prontamente à nevasca à nossa frente e se adaptar para sobreviver o inverno inevitável sob condições severas e reimaginar nossas organizações para aguentar a dureza de uma possível pequena era do gelo.

Pode ser útil considerar como alocar a atenção da liderança a esses três horizontes. O nosso conselho é direcionar imediatamente uma porcentagem substancial da nossa atenção à reinvenção para a pequena era do gelo, mesmo que estejamos inclinados a funcionar mais num contexto de nevasca e inverno. Precisamos garantir que o nosso pessoal estará num contexto seguro e bem cuidado durante a nevasca, enquanto construímos planos e tomamos ações decisivas em relação a fluxo de caixa, cadeias de fornecimento, alterações de clientes e capacidade do time. Contudo, exortamos todo líder a perceber que a sobrevivência da sua organização nas próximas semanas e meses, talvez anos, depende bem mais de inovação radical do que cortes estratégicos.

Isso quer dizer que será preciso iterar e testar bem rápido nas próximas semanas. No Praxis, nós reelaboramos o nosso time central de doze pessoas em grupos de trabalho pontuais, mirando em seis projetos que são viáveis nas condições atuais de “nevasca”, buscando alocar respostas a algumas das maiores necessidades e oportunidades das nossas comunidades nas próximas duas semanas. Nós estamos em contato intenso com nossos parceiros empreendedores, nossos doadores e nossos mentores. Vamos nos comprometer com o aprendizado e certamente alguns experimentos darão mais certo e durarão mais que outros, mas nós estamos construindo em cima da nossa profunda confiança uns nos outros para discernirmos juntos sobre como fazer o empreendedorismo redentivo avançar num ambiente completamente diferente.

Luto e perdas, visão e esperança

Estamos num tempo de luto. Muitos dentre nós amam o nosso trabalho e as pessoas com quem trabalhos. Pensávamos que se construíssemos uma organização baseada em integridade, talentos e abordagens inovadoras, o resultado seria o sucesso. Nós investimos tempo e relacionamentos em construir e manter esse sonho. Mesmo que outros enfrentem perdas ainda maiores, a perda de modelos de negócio que poderiam funcionar com alegria, lucro e de formas que valorizem as pessoas é uma perda real. Nenhum líder irá aguentar durante esses dias sem dar espaço para todas as fases do luto identificados tantos anos atrás por Elisabeth Kübler-Ross: negação, barganha, raiva, depressão e aceitação. Nós e aqueles que lideramos experimentarão todas essas fases, mais de uma vez, nos próximos dias.

Mas também estamos num momento para uma nova visão e esperança. Nós temos o privilégio no Praxis Lab de trabalhar com empreendedores — pessoas que se inquietam com o modus operandi atual e que tomam todos os riscos para criar novas coisas no mundo. Uma das nossas maiores alegrias agora é conversar com nossos empreendedores associados e nossas classes de empresas e organizações sem fins lucrativos. Eles veem, como todos os outros, os desafios imensos que chegam até nós. Mas eles são ágeis por natureza, dispostos a aprender e se adaptar e convencidos de que há oportunidades mesmo nas profundezas do inverno.

O estranho cerne da fé cristã é que essas realidades não são separadas. Luto e perda andam juntos na fé cristã com nova visão e esperança de uma forma singular, porque fazem parte da história da cruz e da ressurreição, Não há luto maior que o Calvário, a crucificação do próprio Filho de Deus por aqueles que viera salvar. Não há esperança maior que a Páscoa. E o Senhor pascal ressurrecto se fez conhecido a seus discípulos por meio de suas chagas nas mãos, pés e lado. Quando ressuscitarmos e reinarmos com ele sobre a nova criação, ele ainda terá a aparência de um Cordeiro que foi morto. Nós também teremos nossas cicatrizes, e os líderes de nosso culto serão os mártires, aqueles que sacrificaram tudo para testemunhar a ele.

A criatividade cristã começa com o luto — o luto de um mundo que deu errado. Ela o reveste de lamento — o grito estridente da Sexta-feira da Paixão, o silêncio do Sábado Santo — e ainda se achega ao sepulcro no começo da manhã de domingo. Nós estamos sepultando e nos despedindo de tantas coisas nos últimos dias e ao redor do mundo todo as pessoas estão sepultando e se despedindo daqueles que amam. Mas nós não choramos como quem não tem esperança. Se chorarmos com Jesus, e dermos espaço para outros chorar, podemos ter a esperança de que seremos visitados pelo Consolador, o Espírito que pairou sobre a criação antes de ela ser formada. E esse Espírito nos guiará nas escolhas que temos de fazer, mesmo com os dias mais difíceis à nossa frente.

E se estivermos errados?

Nós reconhecemos que líderes que tomarem decisões estratégicas com base nesses conselhos enfrentarão riscos reais. Não importa quão sacrificial seja a nossa postura e quanto tentemos honrar e servir a outros, a confiança deles em nós será esticada até o limite e, em alguns casos, irá se romper. Esse é o preço da liderança.

Tudo que podemos dizer é que o quadro que pintamos neste documento é o mais preciso e prático que podemos fazer hoje. Se ele for verdade, não há tempo a perder. A cada dia, recursos materiais diminuirão e sem uma liderança ativa e corajosa, outros vão perder sua confiança em nós ou vão simplesmente parar de prestar atenção em meio às emergências que enfrentamos. Líderes precisam agir imediatamente para começar a reimaginar suas organizações, começando com conversas compassivas e francas com seus boards e membros de seus times sobre o que enfrentarão.

Dito isso, todos os autores são otimistas por temperamento e também sabemos que nem todo mundo está lendo as tendências da mesma forma. Podemos estar errados sim. O inverno pode ser ameno e acabar rápido; a pequena era do gelo pode nunca chegar. O tanto de criatividade humana dedicada a vencer o COVID-19 é realmente arrebatador. A seriedade e competência de muitas autoridades públicas e a mera iniciativa e resiliência das pessoas ao nosso redor é humilhante e encorajadora.

Mas eis a questão: se estivermos errados, e a nevasca passar, o inverno for ameno e a pequena era do gelo nunca chegar, as nossas organizações já saberão o que fazer. Se essa crise se encerrar miraculosamente e a nossa sociedade continuar relativamente incólume, podemos oferecer nossa gratidão fervorosa a Deus, celebrar em alto e bom som as profissões médicas que colocarão suas vidas em jogo e voltar a versões refinadas de nossas playbooks atuais, com um senso disciplinado e fortalecido da nossa dependência de Deus e do próximo, e uma maior apreciação de cada dia das nossas vidas. Nós todos estaríamos surpresos e estupefatos se for esse o resultado desses dias.

Mesmo se for esse o resultado, as nossas organizações estarão bem mais fortes por passar pelo difícil trabalho descrito aqui. Pois a tarefa essencial diante de nós é fortalecer bastante a nossa capacidade de trabalhar em relacionamentos de confiança, em pequenos grupos locais, usando todas as novas ferramentais digitais e de comunicação. Na verdade, essa é a tarefa que deveríamos ter feito o tempo todo. Se pudermos voltar a certa “normalidade” de 2019, mas com nossos programas e serviços, playbooks comerciais e até nossos relacionamentos purificados por um planejamento criativo, as nossas organizações serão bem mais fortes.

E aqui está outra realidade aterradora: essa não será a última pandemia, nem o último desastre. De toda forma, mesmo quem está em um país “desenvolvido” onde estaremos protegidos por um tempo dos piores tipos de vulnerabilidades, bilhões de seres humanos estiveram vivendo com base nesse nível de vulnerabilidade o tempo todo, enquanto boa parte do mundo não dava a mínima para seu sofrimento. Nós, seres humanos, somos bem mais dependentes de Deus e do próximo do que reconhecemos em tempos de prosperidade e tranquilidade. Não deveríamos desejar voltar à normalidade dos anos passados, em que tanta injustiça passava batido e que inúmeras vulnerabilidades coletivas sistêmicas cresciam e cresciam.

De todo modo, líderes responsáveis não têm escolha, a não ser assumir que estamos no inverno e uma era do gelo por prazo indefinido está diante de nós. Nós estamos jogando um jogo que ninguém vivo jogou. Estamos, por razões que apenas Deus sabe, na linha de frente, no time de fundadores. Vamos agir com coragem, hoje, para construir o melhor que pudermos, por amor ao próximo e para a glória de Deus.

Andy Crouch trabalha com teologia e cultura no Praxis Lab. Kurt Keilhacker é o presidente do board do Praxis, bem como sócio-administrador no Elementum Ventures, uma empresa de venture capital em estágio seed. Dave Blanchard é cofundador e CEO do Praxis. Original disponível aqui. Todos os direitos reservados.

Traduzido por Guilherme Cordeiro. As posições deste artigo não representam necessariamente a visão da Pilgrim ou de seus funcionários. Este texto apenas poderá ser copiado para outras plataformas digitais e escritas com permissão expressa da equipe The Pilgrim.

7 ideias para melhorar as suas devocionais em 2020 com a Pilgrim

Já aconteceu com todo crente. Você acumula três planos de leitura bíblica, desempoeira o devocionário comprado na Black Friday, separa um horário certinho para seu “momento com Deus”, pensa em várias estratégias diferentes para aplicar isso durante a sua rotina e… nada muda. Você ainda não consegue ter momentos devocionais frequentes.  Logo depois, você se vê acessando redes sociais no lugar da sua devocional.

A longo prazo, essas distrações se revelam destrutivas. Ao invés de Cristo formado em você por meio das devocionais, você progressivamente se assemelhará a um adorador das suas distrações. Como Tish Warren coloca:

“Nós temos hábitos cotidianos, práticas formativas, que constituem liturgias diárias. Ao buscar primeiro o meu celular a cada manhã, eu desenvolvi um ritual que me treina para determinado fim: entretenimento e estímulos por meio da tecnologia. Independentemente do que eu digo ser a minha cosmovisão ou subcultura cristã particular, o meu hábito diário inconsciente estava me moldando para ser uma adoradora de telas brilhantes” (Liturgia do Ordinário. São Paulo: Pilgrim, 2019, p. 46)

Assim, como você pode se tornar um verdadeiro adorador de Cristo ao invés de um “adorador de telas brilhantes”? Que tal usar essas mesmas telas brilhantes para te ensinarem mais sobre Cristo? Temos aqui 7 ideias de como utilizar o nosso aplicativo em 2020 para crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2Pe 3.18).

1.Ouça o devocional “Manhã e Noite” de Charles Spurgeon

Pergunte a quem quiser, é indiscutível que Charles Spurgeon foi um dos maiores pregadores evangélicos de todos os tempos. As suas breves meditações de menos de 5 minutos são mais acessíveis, profundas, consistentes biblicamente e confortadoras pastoralmente do que muitas pregações contemporâneas. Para começar e terminar os seus dias com a Palavra de Deus (e gostar do processo!), este livro é inegociável.

2. Ouça o capítulo de sua leitura diária com a Bíblia NVT

Talvez você já tenha escolhido o livro bíblico, o conjunto de versículos, devocionário ou plano de leitura bíblica anual que você vai seguir em 2020. Todavia, qualquer crente com um ritmo consistente de devocionais diárias já deve ter percebido como é fácil esquecer o texto bíblico durante o resto do dia. Que tal você meditar nele com mais um sentido? Em vez de simplesmente lê-lo com os olhos, ouvi-lo com os ouvidos pode ser mais uma maneira de ficar essa porção das Escrituras na sua mente.

3. Estude com uma Bíblia de Estudo

“Bíblia Sagrada com reflexões de Lutero” para os entusiastas da história da Reforma protestante. “Bíblia do Pregador” para os irmãos com o dom de ensino. “Bíblia da Família com Estudos de Jaime e Judith Kemp” para o culto familiar. “Bíblia da Mamãe” ou “Bíblia do Papai” para aqueles que querem lembrar dos seus filhos até no seu momento devocional. “Bíblia Sagrada Bom Dia” para juntar sua meditação bíblica com sua jornada devocional diária. “O Livro dos livros – edição literária da Bíblia” para uma leitura mais esteticamente confortável. Ou simplesmente a sua versão favorita da Bíblia (ARA, NTLH, ARA, King James, NVT, etc.) pode ser o que você precisa para facilitar a sua leitura bíblica diária. Muitas vezes, o seu desânimo para ter tempo diário com as Escrituras se deve a você não estar lendo elas direito. Que tal usar uma dessas Bíblias, todas elas disponíveis na Pilgrim, para retirar mais esse obstáculo do caminho?

4. Confira a nossa esteira de “Devocionais”

Mesmo com as diversas versões da Bíblia propostas acima, você ainda pode querer a ajuda de um bom escritor para trazer reflexões práticas para o seu dia-a-dia. Você pode se refrescar com as meditações diárias do talentoso pregador Hernandes Dias Lopes com sua série de Gotas para alma. Passar 90 dias em Gálatas, Juízes e Efésios ou em João 14–17, Romanos e Tiago com Tim Keller. Começar suas manhãs a cada dia do ano com “Bom dia!” de Stormie Omartian; treinar as linguagens de amor com Gary Chapman; ou simplesmente se alimentar do bom e velho Pão Diário. Se você estiver na dúvida sobre qual utilizar, basta ler uma ou duas reflexões de cada um e escolher o que você mais gostar. O que importa é se firmar no hábito de ler esse devocionário todo dia.

5. Coloque em prática os compromissos de Sabedoria digital para a família

Sim, já falamos de muitos livros que você pode usar esta tela brilhante na sua frente para ser edificado. Mas você também crescerá na fé sabendo quando pôr de lado essa tela para conviver com pessoas reais no mundo real, especialmente aquelas mais próximas de você. No livro Sabedoria digital para a família (original Pilgrim), Andy Crouch sugere, e explica detalhadamente cada um, dos dez compromissos a seguir:

1. Desenvolvemos sabedoria e coragem juntos como família.

2. Queremos criar mais que consumir. Então, preenchemos o centro de nossa casa com coisas que recompensam a habilidade e o engajamento ativo.

3. Fomos projetados para um ritmo de trabalho e descanso. Então, uma hora por dia, um dia por semana, e uma semana por ano, desligaremos nossos dispositivos e louvaremos, festejaremos, oraremos e descansaremos juntos.

4. Acordamos antes de nossos dispositivos, e eles “vão dormir” antes de nós.

5. Temos por objetivo “não ter telas antes que nossa idade tenha chegado a dois dígitos” — na escola ou em casa.

6. Usamos telas com um propósito, e as usamos juntos, em vez de usá-las sem propósito e sozinhos.

7. O tempo no carro é tempo de conversa.

8. Os cônjuges têm a senha um dos outro e os pais têm completo acesso aos dispositivos dos filhos.

9. Aprendemos a cantar juntos em vez de deixar a música gravada e amplificada tomar conta de nossa vida e adoração.

10. Nós comparecemos aos grandes acontecimentos da vida. Aprendemos a ser humanos quando estamos presentes nos momentos de maior vulnerabilidade. Esperamos morrer nos braços uns dos outros.

Estranho, não é? Parece radical demais, mas, ao mesmo tempo, soa como um alívio muito necessário para a nossa vida corrida em família. Talvez seja difícil fazer devocionais individuais na sua casa ou cultos domésticos com a sua família justamente porque não existem limites para a tecnologia no seu lar. Hora de planejar a sua devocional também é hora de abençoar a sua família.

6. Ouça audiolivros em comunhão

Assim como numa dieta, a sua alimentação espiritual diária não trata apenas de o que você come, mas também de como você come. Ou seja, ao planejar suas devocionais de 2020, repense em como absorver todo o conteúdo disponível. Uma forma que vai ser especialmente edificiante é ouvir audiolivros em comunhão. Ao invés de simplesmente lê-los e absorver o máximo de informações possíveis, espalhe o conteúdo deles. Você pode estudar um livro junto com seu pequeno grupo ouvindo seus trechos favoritos e discutindo-os depois. Você pode compartilhar trechos dos audiolivros nas redes sociais e perguntar o que os seus amigos pensam. Você pode simplesmente se sentar com a sua família todo dia e ouvir a Bíblia em atitude de oração. Essa é uma forma de compartilhar dons espirituais e fazer com que você “seja encorajado pela fé mútua, vossa e minha” (Rm 1.11-12). 

7. Repense sua rotina com Liturgia do Ordinário, Refresh e Reset.

Por fim, o obstáculo para a regularidade das suas devocionais pode ser uma rotina pesada demais. Ela pode ser pesada por ser tão ocupada que você não tem energias para passar um tempo com o Senhor. Ela pode ser pesada por não permitir você relembrar e reaplicar o que você aprendeu com a sua Bíblia naquele dia ou no domingo. Ela pode ser pesada porque você não vê como ela pode glorificar a Deus nela. De todo modo, não adianta reservar 15 minutos para Deus no seu dia se todos os outros te afastam dele.

Assim, a nossa última orientação é refazer as suas rotinas para que você tenha espaço para as suas devocionais. E não qualquer espaço. É preciso de um espaço bom o suficiente para que você consiga se concentrar. Além disso, é preciso um espaço aberto o suficiente para que aquele momento devocional contagie todos os outros momentos do seu dia e os redirecione para Deus. É como se você estivesse procurando um lugar para colocar uma flor na sua casa: você precisa de um espaço arejado para ela sobreviver e de um espalho bem-posicionado para que toda a casa seja embelezada pela presença dela.

Portanto, para corrigir a sua rotina pesada e abrir espaço nela para você se concentrar devocionalmente, utilize os livros Reset (David Murray), para homens, e Refresh (Shona Murray), para mulheres. Mesmo que você não sofra de burnout, essas obras são perfeitas para você repensar a sua rotina de forma bíblica e saudável para o seu corpo e mente.

Quanto ao problema de como permitir a sua devocional contagiar todos os outros momentos, o livro Liturgia do ordinário (Tish Warren) é inigualável. Com ele, você vai aprender a ver como todo o seu dia tem um significado espiritual. Há uma lição sobre Deus sendo ensinada da hora de acordar até cair no sono, desde coisas triviais como perder as chaves até desagradáveis como brigas conjugais. Tish, ela própria bem ocupada cuidando de seus filhos e sendo dona de casa, é a companheira perfeita para anotar essas lições junto com você.

No fim, a ideia central de Liturgia do ordinário é o que lhe fará alcançar o real propósito de ter um momento diário com Deus na presença de Deus : levar todos os outros momentos a Ele também. Quando você calibra os olhos da fé com a Palavra todo dia, cada dia se torna uma devocional ao Senhor.

Autor: Guilherme Cordeiro, editor de conteúdo na The Pilgrim.

Dê um presente de Natal com a Pilgrim

Natal é sobre compartilhar. É sobre Deus compartilhar da vida humana em Jesus Cristo, como um de nós. É sobre compartilharmos uns com os outros o que temos em Cristo. Por isso, nós da Pilgrim montamos uma forma de você compartilhar um pouquinho da sua assinatura premium com sua família e amigos. 

Funciona assim: se você já é assinante, basta entrar no seu aplicativo até a noite do dia 25/12/2019 e acessar a seção “Presente”. Depois de preencher o seu nome, de quem você quer presentear e qual mensagem você quer enviar para ela, você poderá enviar o presente por e-mail ou WhatsApp para o destinatário. Pronto! Essa pessoa receberá um link para nosso site, onde ela poderá escolher o audiolivro favorito dela da linha Pilgrim Books. Depois de concluir o registro e resgatar o vale-presente (válido até 06/01/2020), esse audiolivro será dela! 

“E se eu não for assinante?” Bem, o mais fácil é você fazer a assinatura e ter acesso a dezenas de audiolivros, mais de 3000 ebooks, além de artigos, resumos e cursos. E com 7 dias de teste grátis! Porém, se você ainda quiser provar um dos nossos audiolivros originais, disponíveis em português apenas na Pilgrim, basta encontrar o assinante mais próximo e pedir que ele lhe envie o link seguindo o processo acima. E não se esqueça de resgatar o vale-presente antes de 06/01/2020. Depois disso tudo, o seu audiolivro está disponível para acesso na aba “Comprados”. 

“Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem ele ama” (Lc 2.14)

Feliz Natal!

Desafio de leitura Pilgrim para 2020 #PilgrimChallenge

J. C. Ryle uma vez disse que “poucas coisas são tão amadas por alguns, e tão desprezadas e negligenciadas por outros, quanto livros, e especialmente livros de teologia”. Porém, não importa se você está mais perto do amor ou da negligência, provavelmente você diz que quer ler mais e melhor, mas não tem tempo de ler mais ou melhor. E é por isso que vamos lançar o Pilgrim Challenge.

O Pilgrim Challenge é um desafio para ajudar você ler mais e melhor em 2020. A sua leitura será incrementada não só por você determinar uma meta de quantidade de livros, mas também por se diversificar. Você se verá forçado a ler livros que você nunca escolheria naturalmente. Lendo o que você nunca leria sozinho, você pode acabar aprendendo o que você nunca descobriria sozinho.

O desafio está dividido em cinco listas, que correspondem ao grau de dificuldade, intensidade e diversidade das leituras. As listas maiores incorporam os itens das menores.

  • VOLTINHA: total de 13 livros, com uma média de 1 livro a cada 4 semanas.
  • PASSEIO: total de 17 livros, com uma média de 1 livro a cada 3 semanas.
  • VIAGEM: total de 26 livros, com uma média de 1 livro a cada 2 semanas.
  • MIGRAÇÃO: total de 52 livros, com uma média de 1 livro a cada 1 semana.
  • PEREGRINAÇÃO: total de 104 livros, com uma média de 2 livros a cada 1 semana.        

Caso um livro se inclua em mais de uma categoria, escolha apenas uma. Não há uma ordem dentro de cada lista. Você pode escolher um plano para seguir até o final do ano ou ir avançando aos poucos a partir do primeiro deles. Não se sinta pressionado a ler um livro no exato período de tempo proposto, o que importa é alcançar a meta final do desafio escolhido.

Colocamos ideias diferentes para cada livro. Sinta-se livre para adaptar a lista de acordo com os seus interesses e recursos. Você pode adotar alguma das seguintes alternativas:

  • Divida a lista com a sua família, de forma que cada um fique responsável com uma categoria durante determinado período de tempo. Compartilhem o que vocês aprenderam com cada livro e recomendem a sua melhor leitura no final do ano.
  • Comece a ler conforme for mais adequado para o seu tempo. De acordo com o número de semanas que você levar para terminar esse livro, escolha o plano correspondente.
  • Termine o primeiro livro que você escolher o mais rápido possível. De acordo com o número de semanas que você levar para terminar esse livro, escolha o plano correspondente.
  • Ignore a quantidade de livros proposta a cada plano e simplesmente monte um plano próprio escolhendo as categorias mais desafiadoras para você.
  • Divida a lista com a sua igreja ou pequeno grupo, de forma que cada um fique responsável com uma categoria durante determinado período de tempo. Escrevam resenhas e elejam o melhor livro da sua igreja ou pequeno grupo no final do ano.

Porém, não se esqueça de que o propósito dela é ser desconfortável para você, em algum nível. Afinal, é isso que desafio significa.

Para baixar, você pode escolher a imagem e guardar em algum dispositivo para consulta ou optar pelo PDF, com um formato mais simples e fácil de imprimir.

Deixe Andy Crouch dar sabedoria digital para a sua família (Courtney Reissig)

Como mãe, poucas coisas ocupam mais a minha mente do que como usamos tecnologia com nossos filhos. Nós lemos as estatísticas. Nós vemos o que o uso da tecnologia pode fazer. Mas, como muitos outros pais, eu ainda me pergunto como usar melhor a tecnologia na minha família, que é a razão de eu agradecer tanto a Andy Crouch. No seu novo livro, Sabedoria digital para a família: passos diários para colocar a tecnologia no lugar certo, Crouch fornece uma estrutura bem útil para famílias em sua busca para usar a tecnologia com sabedoria nos nossos lares.

O livro é dividido em três partes. A primeira (capítulos 1 a 3) trata das decisões de uma família com sabedoria digital. A segunda parte (capítulos 4 a 8) vai para a prática, focando na vida cotidiana segundo a sabedoria digital. A terceira parte (capítulos 9 a 10) é um tipo de “onde queremos estar” sobre como a sabedoria digital faz a família focar no que mais importa. Com seus “Dez compromissos da sabedoria digital”, Crouch — anteriormente um estrategista de comunicação na Christianity Today e hoje na Templeton Foundation — mostra aos pais que o uso da tecnologia em casa não precisa ser moldado pela cultura externa, mas pode ser intencional e promover o florescimento de cada membro da família

Criando uma melhor opção

Não é que Crouch simplesmente encoraja os pais a deixar seus celulares de lado ou limitar o tempo dos seus filhos na frente de telas. Pelo contrário, ele conclama os pais a estarem presentes nos seus lares. Ele não está trazendo mais uma série de regras, mas um estilo de vida para usufruir de pessoas e experiências no mundo real, e isso só pode acontecer estando presente de verdade.

Pais (e filhos) vão encontrar muitas informações úteis em Sabedoria digital para a família sobre como usufruir o mundo. Com cada compromisso, Crouch desafia a nossa necessidade de sermos entretidos indefinitivamente por luzes brilhantes. Enquanto a tecnologia nos espera a simplesmente consumir a criatividade de outras pessoas, Crouch nos encoraja a criar a nossa própria beleza, arte e cultura. É claro, isso exige trabalho e intencionalidade. Mas, de outras formas, ele está nos chamando de volta para o que Deus planejou para nós. Fomos criados para trabalhar, criar e governar sobre o mundo que ele fez. Fomos criados para relacionamentos no mundo real, relacionamentos que crescem e se desenvolvem com o tempo.

Crouch desafia a nossa inclinação natural para soluções fáceis para o tédio dos nossos filhos — e o nosso desejo de fazer as coisas sem sermos interrompidos. Como pais, é fácil entregar uma tela para nossos filhos sempre que precisamos de um tempo livre. Eu já fiz isso. Os pais vão achar bem convincente essa exortação sobre usar telas para deixar nossas crianças ocupadas. Como Crouch diz, “Quanto menos confiamos nas telas para ocupar e entreter nossos filhos, mais eles se tornam capazes de se ocupar e se entreter sozinhos”. Ao se comprometer a abraçar o tédio que vem por simplesmente viver neste mundo, os pais na verdade estão preparando os seus filhos para se tornarem adultos que encontram coisas significativas para fazer com seu tempo, para desfrutar de pessoas por meio de relacionamentos e conversas e descansar de verdade, ao invés de simplesmente deixar uma atividade automática preencher o espaço.

Ao falar sobre o tempo antes do jantar, ele diz: “Nós jamais descobriremos como ajudar os filhos — e a nós mesmos — a sobreviver à meia hora enlouquecedora antes do jantar, se sempre nos contentarmos com a tela.” Parece contracultura. E é. Mas também é um alívio. Crouch não só desafia, mas também dá uma nova visão para uma vida de beleza, relacionamento e criatividade — sem escravidão à tecnologia.

Desafiando compromissos

Eu concordei com a maior parte dos compromissos em Sabedoria digital para a família e, embora eu tenha me sentido desafiada de vez em quando, eu sabia que as ressalvas no meu coração provavelmente se deviam ao meu desejo de manter a tecnologia no centor da minha vida. Contudo, há alguns pontos onde eu queria que Crouch desse maiores qualificações para suas exortações. Um pai cansado leria este livro e se sentiria sobrecarregado pelo tanto de sugestões.

Talvez seja pela minha situação de vida (mãe de três crianças pequenas e grávida da quarta), mas eu me perguntei se não seria possível dar mais exemplos concretos para crianças mais novas para ajudar um pai procurando alternativas melhores do que a tecnologia. Todas as sugestões de Crouch para desfrutar do tempo em família, porém, me fizeram ansiar pelo dia em que a nossa família poderá fazer mais coisas juntos.

Como você vai servir?

Algumas pessoas podem se incomodar com a radicalidade dos compromissos de “sabedoria digital” sugeridos por Crouch, perguntando-se uma vida com um uso tão limitado da tecnologia sequer é possível. Quer a sua família adote ou não todos os compromissos, todos nos beneficiaríamos de uma abordagem mais pensada e comedida à tecnologia.

Embora Sabedoria digital para a família seja um chamado a uma vida radical, eu estou bem certa de que eu não vou desejar no fim da minha vida ter passado mais tempo mexendo no Facebook ou assistindo Netflix. Todos nós — pais ou não — faríamos bem em ouvir os sábios conselhos de Crouch.

Nós só temos uma vida para viver. Não seria melhor gastá-la desfrutando e servindo o mundo que Deus fez, em vez de uma tela?

Sabedoria digital para a família foi publicado no Brasil pela The Pilgrim e está disponível com exclusividade para seus assinantes.

Original: https://www.thegospelcoalition.org/reviews/the-tech-wise-family/

Courtney Reissig é a autora de Glory in the Ordinary: Why Your Work in the Home Matters to God, The Accidental Feminist: Restoring Our Delight in God’s Good Design, e Teach Me to Feel: Worshiping Through the Psalms in Every Season of Life (a ser lançado em janeiro de 2020). Ela é casada com Daniel, tem quatro filhos e, juntos, eles participam da igreja Immanuel Baptist Church em Little Rock, Arkansas. Você pode ler mais sobre ela no seu blog ou segui-la no Twitter.

Um Livro Por Dia

Seria um sonho ler um livro por dia. Quem sabe até dois. E você consegue fazer isso, desde que não tenha mais nada para fazer o dia todo e tenha uma dedicação de ouro. Mas, mesmo se você conseguisse, provavelmente não aproveitaria tanto o livro ou talvez até se arrependeria de ter se esforçado tanto para ler um livro que, no final, nem era tão interessante assim. Se fosse um livro de teologia mais complexo e robusto, por outro lado, pode ser que você nem entendesse ele muito bem e tivesse de começar tudo de novo mais tarde.

E se você pudesse ler um bom resumo daquele livro antes de se aventurar nele? E se você pudesse ter uma ideia mais ampla do contexto, objetivo, tese e argumentos do autor antes de sequer abrir o livro?

Bem, uma resenha tradicional pode te ajudar com isso. Mas talvez você queira mais. Talvez você queira um bom esboço do que o autor disse. Como se fosse uma pequena palestra explicando o livro capítulo a capítulo. Quem sabe você queira só absorver a ideia geral daquele livro ao invés de se dedicar minuciosamente ao seu conteúdo.

Portanto, diferente de resenhas tradicionais que buscam responder “devo ler este livro?”, que tal se você tivesse algo que respondesse a seguinte pergunta: “o que eu saberia se lesse este livro, em resumo?”

É isso que buscamos responder com a Pilgrim Express. Essa linha de resumos, tratando desde livros complexos como Defesa da fé de Van Til até populares como Quando pecadores dizem sim de Dave Harvey, busca trazer suas principais informações num áudio de cerca de 15 minutos.

Então você vai poder, com uma velocidade impressionante, saber se você quer ler esse livro, como se fosse um trailer de um filme, captar seus pontos principais, como se fosse um estudo dirigido, relembrar uma leitura bem antiga, como se fosse um fichamento, ou como simplesmente um esclarecimento sobre um tópico de seu interesse, como se fosse uma rápida entrevista com o autor.

E mais: você pode finalmente ter uma boa noção de livros que você sempre quis ler, mas que, francamente, não eram fáceis de entender ou interessantes de ler. E tudo isso com um tempo que você também pode estar lavando a louça, dirigindo para o trabalho, sentado no ônibus ou fazendo uma caminhada.

Gostou da novidade? Aproveita e diz aqui os livros que você gostaria de ter o resumo na Pilgrim. Pode ser em português ou inglês

Compartilhe conosco suas sugestões.

A Maior Forma De Comunicação Acadêmica Está Na Pilgrim

Todos concordaríamos que o melhor conhecimento de Deus possível veio num Livro.

Também diríamos que esse Livro foi lido pela maior parte da história da igreja por meio de pregações, hinos e orações litúrgicas, ao invés de sentar e lê-lo. Porém, como os teólogos travam seus debates? Já foi por epístolas, por tratados, por livros escolásticos e por concílios acalorados. Todavia, atualmente, em praticamente qualquer área de estudo, a forma primária de comunicação e debate acadêmico rigoroso inegavelmente se dá por meio de artigos científicos.

Isso cria um problema. Dificilmente vamos parar na correria do dia para ler o último artigo de nosso teólogo favorito num journal. Aliás, provavelmente nosso teólogo favorito (que seria melhor descrito como um pregador) também não tem tempo de publicar num journal atualmente. Talvez as ideias que você mais gosta dele sejam apenas uma remodelação de uma bateria de artigos acadêmicos que ele leu.

Esse distanciamento entre igreja e a academia já foi bem documentado e não é fácil de resolver. E talvez certa distância precise ser mantida. O que não podemos negar é a dificuldade de o crente interessado em teologia de acessar bons artigos acadêmicos que não sejam, bem, acadêmicos e técnicos demais.

A Pilgrim conhece esse problema. Queremos ajudar. Nos perguntamos: “e se pudéssemos escolher artigos que julgamos relevantes para todo crente e torná-los mais acessíveis?” Bem, acabamos respondendo ela também.

Fizemos uma parceira com a ABC2 (Associação Brasileira de Cristãos na Ciência), bem mais experiente do que nós nessa área, para disponibilizar os seus artigos na nossa plataforma. O manifesto de Plantinga sobre uma filosofia explicitamente cristã, bem como uma apresentação do seu argumento para a racionalidade do teísmo, um resumo da crítica de Dooyeweerd ao historicismo tanto pelo próprio quanto por Roy Clouser, além de artigos sobre temas pouco explorados a fundo no Brasil, como uma visão cristã da psicologia e da tecnologia.

Além disso, como já divulgamos, teremos, com exclusividade no Brasil, todo o material do Instituto Davenant. Compartilhando de sua visão de resgate do protestantismo clássico para enfrentar dilemas contemporâneos, iremos começar com os artigos da sua revista Ad Fontes e com a sua série de Digestos, que buscam trazer pequenas introduções a temas complexos, num estilo claro, vívido e bem prático. Assim, haverá discussões desde a Reforma inglesa e o relacionamento entre Calvino e Lutero até à viabilidade do termo “cosmovisão” e se podemos falar que a ética sexual cristã é um ponto básico de ortodoxia.

Por fim, também teremos a linha Pilgrim Originals. Selecionados de vários rincões poucos explorados do mundo online teológico em inglês, além de artigos inéditos de autores brasileiros, esses artigos serão disponibilizados pensando exatamente nas perguntas que vemos que vocês buscam responder usando e navegando no nosso aplicativo. É quase como ter um teólogo de cabeceira!

Mas não podemos esquecer o propósito disso tudo. Dar acesso a você a artigos que você nunca leria sem um empurrãozinho nosso só é significativo para “repartir convosco algum dom espiritual, para que sejais confirmados, isto é, para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos por intermédio da fé mútua, vossa e minha” (Rm 1.10-11). É por isso que estamos aqui.

Guilherme Cordeiro – Escritor, editor, tradutor e produtor de conteúdo.

Audiolivros Podem Te Fazer Ler Mais

Os audiolivros estão chegando com força no Brasil. Após alguns anos de expectativa e especulação, o formato promete ser uma das grandes novidades do mercado editorial em 2019. Apesar de já ser bem comum nos Estados Unidos e Europa, os audiolivros são algo novo para o público brasileiro. Poucos aqui tem o hábito de ler audiolivros e muitos sequer chegaram a testar o formato.

É provável que leve um tempinho até o formato se consolidar aqui, mas as chances do audiolivro virar moda são muito grandes. Não é atoa que é o que mais cresce no mercado editorial americano há anos. O formato traz praticidade e pode ser consumido de maneiras diversas (para conhecer algumas formas diferentes e legais de ler audiolivros, veja esse post. Além disso, existe um elemento “mágico” no áudio, fruto do trabalho de produção e interpretação dos atores. O objetivo é dar “vida” ao livro.

Uma das maiores vantagens do áudio, que é o foco desse post, vem das suas diferenças para o e-book e o livro impresso. Alguns acreditam, de maneira equivocada, que o digital veio para substituir e eliminar o livro físico. Com os e-books, essa teoria até pode fazer sentido, visto que a pessoa precisa dedicar a mesma concentração para ler um e-book ou um livro físico. Com os audiolivros é bem diferente; você pode ouvi-los em momentos em que normalmente não poderia ou conseguiria ler um e-book ou um brochura (no trânsito, praticando exercícios, lavando louça, faxinando a casa, etc).

Isso faz com que consigamos aumentar nosso ritmo de leitura ao equilibrar a leitura de livros impressos/e-books e audiolivros. Muitas pessoas passam mais de uma hora por dia no trânsito: dirigindo, no uber ou no transporte público, totalizando cerca de 22 horas mensais.

Se esse tempo for utilizado para ouvir audiolivros, leremos cerca de 4 livros por mês e transformaremos momentos de espera em experiências de aprendizado e edificação. Isso considerando só o tempo de trânsito.

Se adicionarmos o tempo praticando exercícios, limpado a casa, no banho, etc… podemos aumentar ainda mais a quantidade de livros lidos por mês.

Outra função dos audiolivros que podem nos ajudar a aumentar a leitura é a aceleração da velocidade. Podemos colocar o player na velocidade 1.25x, 1.5x ou 2x do normal. É uma espécie de leitura dinâmica de audiolivros. Dessa maneira, podemos ler mais ou podemos analisar uma obra que temos curiosidade e, se gostarmos, ouvimos na velocidade normal ou compramos o livro impresso para ler devagar e marcar os trechos preferidos.

Existem diversas maneiras de ler audiolivros. Nós da Pilgrim temos recebido testemunhos bem legais de nossos usuários. Pessoas aprendendo e sendo edificadas em qualquer momento e em qualquer lugar. Nós cremos que o audiolivro é uma tendência que veio para ficar no Brasil e esperamos abençoar muitos irmãos por meio de um serviço de qualidade, com um preço justo e um conteúdo edificante. Vem nos ajudar nessa missão.

Estamos juntos no caminho.

Leonardo Santiago – Cofundador

6 Maneiras De Ouvir Os Audiolivros Da Pilgrim

Audiolivros têm o poder de dar vida à leitura. Não é a toa que são o produto do mercado editorial que mais cresce nos Estados Unidos. Um estudo da Associação de Editoras Norte-Americanas (Association of American Publishers), constatou crescimento de dois dígitos pelo quinto ano consecutivo em 2017, comprovando que esta é a grande tendência e está chegando com tudo no Brasil, especialmente graças à popularização dos smartphones e a praticidade da experiência com aquilo que tanto amamos: LIVROS.

O formato ainda tem ares de uma grande novidade e pensando nisso preparamos algumas sugestões simples para te ajudar a conhecer e incluir os audiolivros na sua rotina. Estas dicas nasceram da experiência e da paixão da nossa equipe por audiolivros, e foram pensadas para que você possa extrair todo o potencial que os audiolivros podem ter no seu dia-a-dia.

1 – OUÇA NO CAMINHO PARA SEU TRABALHO/ESCOLA

Jornais como The Guardian, NY Times e a revista Forbes são conhecidos por publicar colunas, manchetes e artigos sobre a popularidade do uso de audiolivros, especialmente testemunhos de usuários que optaram por fazer uso em seus carros. Quando pensamos no contexto das grandes cidades, em que o fluxo de trânsito é intenso e toma boa parte do tempo diário em jornadas para o local de trabalho, a opção pode preencher o tempo de deslocamento com conteúdo de qualidade que instrui e orienta os pensamentos naquele momento a coisas proveitosas para quem ouve.

Já quem opta diariamente por utilizar o transporte público (ônibus, metrô e até mesmo bicicletas) também se beneficia! Os períodos no trânsito, muitas vezes com pouco ou nenhum conforto para usufruir de atividades de abstração como a leitura de um livro impresso, passam a ser melhor aproveitados. Quando não tiver lugar para sentar no ônibus ou no metrô, coloque seus fones e dê play no app para conectar os pensamentos nas verdades que edificam, constroem e confortam nossas almas.

2- OUÇA ENQUANTO FAZ SUAS ATIVIDADES EM CASA

Quem trabalha em casa sabe bem que as atividades domésticas demandam esforço e dedicação diária. Lavar louças, roupas, banheiro, organizar o quarto, passar as roupas, cozinhar e as grandes e divertidas faxinas de verão. Cada família tem um jeito de organizar as tarefas do lar, seja lá qual for o estilo, elas serão ainda mais ricas e divertidas ouvindo um audiolivro. Coloque o som bem alto e edifique a sua mente e o seu coração enquanto você cuida do seu lar.

3 – OUÇA NO TREINO, CAMINHADAS E MOMENTOS DE DESCANSO

Um ambiente bastante comentado pelos usuários é a academia. A praticidade do audiolivro durante as atividades físicas é mais uma opção para ser edificado durante os treinos. Neste item, vale a pena também fazer menção às atividades ao ar livre e seu lugar em diferentes níveis de intensidade de exercícios, indo de treinos intensos de musculação à atividades de caminhada, meditação e, por que não de descanso?

Estas modalidades tão distintas têm em comum o fato de que exigem concentração por parte de quem as pratica, e a audição de livros é uma ótima pedida para tornar estes momentos ainda mais agradáveis.

Você pode contemplar uma bela paisagem enquanto aprende com o seu audiolivro, ou pode usar o recurso para manter-se focado e ao mesmo tempo com menor tensão durante seus treinos. É uma opção ao music player, e ao invés de meramente entreter a sua mente te fará pensar além, exercitando corpo, mente e espírito.

4 – OUÇA COM A SUA FAMÍLIA

Como cristãos, entendemos a importância de atividades comunitárias no corpo de Cristo, especialmente no ambiente familiar.

Os audiolivros funcionam bem em cultos familiares, devocionais em conjunto e como recurso para o ensino de crianças. Na Pilgrim, o conteúdo está expandindo-se semanalmente e graças à rica variedade de literatura, você pode escolher o que se encaixa melhor à realidade e à rotina da sua família para abençoar as atividades espirituais que são feitas em comunhão.

5 – OUÇA NAS SUAS DEVOCIONAIS

Outro item de grande importância na caminhada cristã é a realização de atividades de solitude.

Solitude é o estado de privacidade e introspecção em que nos recluímos a estarmos sós para assim contemplarmos melhor a realidade ao redor bem como o nosso interior.

O próprio Jesus quando ensinou sobre a oração aos seus discípulos no registro do evangelho de Mateus, disse:

“Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará.” (Mateus 6:6)

Nestes momentos de oração e devoção do seu tempo ao Senhor, os devocionais em áudio funcionam como um instrumento para te aproximar de Deus e orientar o seu estudo da Palavra.

6 – OUÇA ONDE QUISER

No final das contas, a sua criatividade tem um papel muito importante neste processo. Onde você gosta de ouvir? No banho? Assistindo o por-do-sol? Empinando pipa ou fazendo malabarismo? Ok, pode parecer exagerado, mas nossa dica é que você aproveite-os em lugares em que gosta de ouvir para você crescer na fé (mesmo que sejam eles inusitados).

Conte-nos sobre como tem sido seu aprendizado! A gente vai amar conhecer mais sobre a sua rotina e como podemos te abençoar por meio dos audiolivros.

Coloque os fones e aperte play.

Ana Salomão – Equipe de marketing e conteúdo – The Pilgrim

Você Já Conhece A Iniciativa L’Abri?

Por que os cristãos parecem tão artificiais às vezes? Por que as suas vidas parecem tão desconectadas do que dizem crer? Como saber se Deus existe? É possível saber, não apenas achar, que Cristo ressuscitou? O Cristianismo tem algo a dizer em público, ou é algo de foro íntimo para conforto emocional? Existe alguém que pode nos ajudar a responder essas perguntas?

Todas essas perguntas são relevantes e já foram feitas várias ao longo da história, mas parecem ter um peso peculiar com a sociedade contemporânea. E foi para respondê-las (e viver as respostas) que o L’Abri existe. O primeiro L’Abri (termo francês que significa “abrigo”) foi fundado nos Alpes Suíços em 1955 pelo casal Francis e Edith Schaeffer. Eles começaram a abrir sua casa para receber estudantes, inicialmente amigos de seus filhos, em busca de respostas a dúvidas sobre Deus e o mundo naquele tempo tão turbulento culturalmente de meados do século XX. 

A partir daí foram fundadas comunidades L’Abri em várias partes do mundo. O L’Abri Brasil foi oficialmente fundado em maio de 2008 e tem por obreiros Guilherme de Carvalho e sua esposa Alessandra de Carvalho, Rodolfo Amorim e Vanessa Belmonte. O L’Abri é um centro de estudos e de vida comum, que almeja viver de forma integral a realidade da comunhão com Deus. Assim, para o L’Abri, a verdadeira espiritualidade não pode deixar de ser verdadeiramente humana, incluindo tanto uma vida de gratidão para com Deus “momento a momento”, em todos os aspectos da vida, quanto relacionamentos humanos reais e pessoais em comunidade.

Selecionamos, então, alguns recursos para você conhecer o trabalho do L’Abri (caso queira mais informações sobre atividades desenvolvidas, e talvez até reservar uma vaga para se hospedar na casa, veja aqui).

Palestras L’Abri, especialmente Cristianismo essencial e L’Abri essencial

Várias palestras e conferências feitas pelo L’Abri Brasil em seus dez anos de história estão disponíveis na Pilgrim. Esperança, felicidade, vocação, esgotamento espiritual com o meio cristão, identidade, fé e racionalidade, apologética, ética cristã, Gênesis e ciência, cinismo, sentimentalismo, enfim, há muito material sobre teologia cristã, vida cristã e cultura contemporânea. Mas para conhecer melhor temas centrais do L’Abri de forma mais simples e didática, as duas séries fundamentais de palestras são o L’Abri essencial (disponíveis no YouTube) e o a série Cristianismo essencial (disponível no nosso app).

A primeira, tendo como preletores os obreiros já citados, conta um pouco da história do L’Abri e as ideias que o inspiraram, a saber: a centralidade do senhorio de Cristo para o sentido de todas as coisas, intelectuais ou práticas, públicas ou privadas; a necessidade de respostas honestas e bem-fundamentadas a dúvidas honestas e bem-fundamentadas sobre a fé cristã; e a obra espiritual da verdadeira hospitalidade.  

A série Cristianismo essencial é uma instrução inicial sobre a fé cristã, sem perder o enfoque existencial e de engajamento cultural típico do L’Abri. Passando pelo instrumental básico da catequese cristã histórica (Credo Apostólico, Pai Nosso e Dez Mandamentos), bem como pela caracterização básica da ética cristã com as virtudes da fé, esperança e amor, ela também aprofunda as ideias da série anterior sobre o senhorio integral de Cristo e a veracidade da fé cristã como a resposta às questões mais profundas da existência humana. 

Curso de Allen Porto sobre Schaeffer.

Depois de ouvir algumas dessas palestras, você pode ficar mais curioso sobre a vida e o pensamento do pequeno e franzino homem barbudo que era Francis Schaeffer. Nessas aulas, também disponíveis na Pilgrim, sobre um dos maiores líderes cristãos do século XX, não apenas os temas de suas principais obras serão resumidos, mas também a conexão entre esses insights e a caminhada cristã na vida ordinária, como o próprio Schaeffer sempre procurava fazer. 

Embora alguns livros do autor já tenham sido traduzidos, o conhecimento sobre a sua vida, que é essencial para entender o seu pensamento, encontra-se disperso em várias obras ainda não disponíveis para o público brasileiro mais amplo: suas biografias, os escritos de sua esposa, Edith Schaeffer, e as histórias passadas de geração em geração por obreiros do L’Abri. Allen Porto reúne todo o seu vasto conhecimento sobre esses tópicos, realmente, o trabalho de uma vida, exposto de forma didática nessas vídeo-aulas.

Também é bom complementá-las com a série de palestras dada por Guilherme de Carvalho na Escola Charles Spurgeon e esse artigo dele sobre a contínua relevância do fundador do L’Abri para o século XXI. 

Para quem quer mais

A melhor maneira de conhecer uma pessoa é conversando com ela. Quando ela já morreu, você ainda pode ouvir a sua voz nos seus escritos. E é assim que você realmente vai poder conhecer a Francis Schaeffer: por meio de seus livros. Para começar e entender a descoberta fundamental do fundador do L’Abri sobre sua vida cristã e realidade que foi a base para todo o resto da sua obra, veja o livro Verdadeira Espiritualidade. É nesse contexto, no contexto do calor humano da sua visão de espiritualidade, que a sua defesa intelectual do Cristianismo precisa ser posteriormente estudada, como o próprio Schaeffer recomendava.

Para entender o que Schaeffer pensava ser o dilema básico do homem moderno, e como o Cristianismo tanto fazia parte disso quanto oferecia a única solução, vá para o livro Como Viveremos? (o qual também está disponível numa série de vídeos legendados aqui).

A partir daí, você estará preparado para embarcar na trilogia clássica: O Deus que intervém, A Morte da Razão e O Deus que se revela. É nessa trilogia que o próprio Schaeffer considerava estar o que era essencial para entender todo o resto que ele escreveu (vinte e três livros ao todo), especialmente no que toca à profunda necessidade do homem moderno por verdade, beleza e significado da vida, desde suas raízes históricas até a resposta robusta que o Cristianismo oferece.

Porém, para conhecer Schaeffer e o trabalho do L’Abri de verdade, nada substitui a participação em uma das unidades do L’Abri ao redor do mundo. Pois, como Schaeffer diria, “a ortodoxia bíblica sem compaixão é com certeza a coisa mais horrenda do mundo”.

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